Apesar da guerra comercial, Abril foi relativamente positivo para alguns mercados emergentes , e o Brasil se destacou, o que pode ser visto na performance de muitas ações na bolsa. Há três possíveis explicações para isso.
A primeira seria de que certos países estariam bem posicionados para surfar a onda de mudanças no comércio mundial . A América Latina poderia atrair novas fábricas para atender o mercado americano , visto que foi agraciada com tarifa (10%) bem mais baixa do que a dos países asiáticos. Por outro lado, também poderia expandir suas exportações de alimentos para a China, visto que a última deve parar de comprá-los dos EUA.
A segunda explicação seria que os EUA perderam parte do seu apelo como destino seguro para os investidores. Uma política externa caótica e dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal de longo prazo estariam revertendo fluxos de capitais para outros destinos.
Ainda que esses pontos sejam importantes em um horizonte de longo prazo, eles não parecem suficientes para explicar a maior parte do desempenho das ações brasileiras no mês. O que realmente fez a diferença foram os juros mais baixos.
De fato, a guerra comercial aumentou o risco de uma desaceleração econômica global, pressionando para baixo as taxas de juros futuras em quase todos os países (ver gráfico abaixo). No Brasil, essa pressão foi ainda mais forte, já que a política monetária local está desalinhada com o resto do mundo. Enquanto a maioria dos países já vinha reduzindo os juros, o Brasil praticamente é o único a seguir elevando suas taxas, partindo de um patamar já bastante alto. Por isso, o espaço para cortes nos juros locais tornou-se maior. Nesse cenário, as ações que mais haviam sofrido com a alta dos juros foram justamente as que mais ganharam durante o mês.
Olhando adiante, acreditamos que há espaço adicional para queda dos juros sob duas condições principais. A primeira é que sinais mais claros de desaceleração da economia e da inflação finalmente apareçam, refletindo o aperto monetário recente. A segunda, um pouco mais distante, seria uma mudança nas expectativas para a eleição de 2026, com maior probabilidade de vitória de um governo favorável às reformas.
Gráfico 1: Taxas de juros embutidas nos títulos de 5 anos e variação em abril
O fundo Institucional, carteira de ações sem alavancagem, teve seu melhor mês no ano. O fundo subiu 10,2% a mais que o índice bovespa, fechando em alta de 13,9%. As maiores contribuições para a carteira vieram das varejistas Renner e Guararapes (+7,6% somadas) , que são ações com grande sensibilidade aos juros. Também ajudou os dados que mostraram uma economia ainda aquecida, impulsionando a massa salarial total. A terceira maior contribuição foi Ecorodovias, empresa com a maior sensibilidade aos juros da carteira já que tem alto endividamento, previsto para aumentar ainda mais com os investimentos programados nas concessões rodoviárias.
Adentramos a temporada de resultados relativos ao primeiro trimestre do ano. Seguimos com uma carteira concentrada em ações do mercado interno que devem se beneficiar da economia aquecida. Essa concentração é compensada com a menor presença de ações de bancos, de commodities e do setor elétrico em relação ao índice bovespa.
| Institucional FIA | ||
| + Posição Long | 14,15% | |
| + Caixa e custos | -0,22% | |
| =Total | 13,93% | |
| – Benchmark (Ibov) | 3,69% | |
| = Excesso Benchmark | 10,24% | |
| Destaques do mês – Institucional FIA | ||||
| Maiores | Contribuição | Menores | Contribuição | |
| Lojas Renner | 4,04% | Suzano | -0,61% | |
| Guararapes | 3,56% | Banco Pan | – | |
| EcoRodovias | 3,46% | Vulcabras | – | |
| Moura Dubeux | 1,69% | SLC Agricola | – | |
| JBS | 0,74% | JBS | – | |
Os fundos long biased da casa tiveram forte desempenho em função do retorno em excesso carteira de ações em relação ao Ibovespa, uma vez que a alavancagem long & short dos fundos é comprada na carteira de ações e vendida em Bova11.
| Long Biased | Fit | Versa |
| Carteira long | 15,95% | 16,89% |
| x | ||
| Alavancagem | 1,76 | 4,48 |
| = | ||
| + Posição Long | 28,06% | 75,63% |
| Carteira short (Bova11) | 4,11% | 5,36% |
| x | ||
| Alavancagem short | -1,14 | -2,24 |
| = | ||
| + Posição Short | -4,68% | -12,01% |
| + Hedge | 0,00% | 0,00% |
| + Financiamento, Caixa e Custos | -0,04% | -1,37% |
| = Total | 23,34% | 62,24% |
| – Benchmark (CDI) | 1,06% | 1,06% |
| = Excesso Benchmark | 22,28% | 61,18% |
O Versa Genesis apresentou forte desempenho em abril, com alta de 26,4%, impulsionado pela valorização da bolsa brasileira — em especial dos ativos mais sensíveis à taxa de juros de longo prazo.
Embora os juros nominais tenham recuado de forma significativa, como citado anteriormente, a taxa real de longo prazo no Brasil cedeu apenas 10 bps. Diante desse cenário, optamos por reduzir o risco da carteira, diminuindo a exposição à Ecorodovias — empresa mais sensível ao custo de capital devido à sua alavancagem e compromissos relevantes de investimento. Realocamos essa posição para o restante do portfólio, que hoje é majoritariamente composto por distribuidoras de energia elétrica. Esse segmento, além de oferecer maior previsibilidade de resultados, deve se beneficiar no segundo semestre com o reajuste das tarifas em áreas cujos contratos são indexados ao IGP-M, indicador que acumula alta de cerca de 8,5% nos últimos 12 meses.
As maiores contribuições positivas no mês vieram de Ecorodovias, Energisa, Neoenergia e CPFL. Ao final de abril, as principais posições do fundo são Neoenergia, Energisa e CPFL — todas atuantes no segmento de distribuição de energia elétrica.
| Genesis | ||
| Carteira long | 13,75% | |
| x | ||
| Alavancagem | 1,88 | |
| = | ||
| + Posição Long | 25,87% | |
| + Long & Short | 1,11% | |
| + Financiamento, Caixa e Custos | -0,61% | |
| = Total | 26,37% | |
| – Benchmark (IPCA +YIMA-B) | 1,11% | |
| = Excesso Benchmark | 25,26% | |
| Destaques do mês – Genesis | ||||
| Maiores | Contribuição | Menores | Contribuição | |
| EcoRodovias | 6,50% | Copasa | -0,11% | |
| Energisa | 4,87% | Copel | -0,05% | |
| Neoenergia | 4,02% | Equatorial Energia | – | |
| CPFL Energia | 3,26% | Allos | – | |
| TIM | 3,00% | TIM | – | |
A maior contribuição positiva para a performance veio do componente de bolsa (comum aos outros fundos da casa). Em seguida, vieram as posições aplicadas na curva de juros, ou seja, que se beneficiam da queda dos mesmos. Por último, a estratégia de momentum subtraiu 1,1 p.p de performance no mês. Essa estratégia aposta na continuidade de tendência dos preços das ações, ficando vendida nas ações de pior desempenho recente e comprada nas de melhor desempenho, identificando estas ações através do uso de algoritmos. Os momentos negativos mais comuns desse tipo de estratégia são justamente em períodos de virada repentina da bolsa, como a que vimos em abril.
| Tracker | ||
| + Bolsa | 17,38% | |
| + Macro | 9,36% | |
| + Momentum | -1,12% | |
| + Caixa e Custos | 0,24% | |
| = Total | 25,86% | |
| – Benchmark (CDI) | 1,06% | |
| = Excesso Benchmark | 24,80% | |
Disclaimer: As opiniões, análises e informações contidas nesse artigo não constituem recomendação de investimento, nem tampouco material de oferta para subscrição, compra ou venda de títulos ou valores mobiliários, instrumentos financeiros, cotas em fundos de investimento ou qualquer produto ou serviço de investimentos. Declarações contidas neste artigo relativas às perspectivas dos negócios, projeções de resultados operacionais e financeiros, bem como referências ao potencial de crescimento das companhias citadas, constituem meras previsões, baseadas nas expectativas do analista responsável em relação ao futuro. Essas expectativas são altamente dependentes de fatores incertos, como o comportamento do mercado, da situação econômica do Brasil, da indústria e dos mercados internacionais. Portanto, cada declaração aqui escrita está sujeita a mudanças, e não deve ser utilizada como insumo para qualquer estratégia de investimento pessoal ou institucional. A Versa Gestora de Recursos Ltda., seus sócios e colaboradores, por meio dos fundos de investimentos da casa, podem ou não estarem posicionados em títulos e valores mobiliários de emissores aqui mencionados, de forma que eventualmente influencie nas opiniões e análises aqui presentes.
