Comentário Macro
por Tarik Migliorini
Julho foi marcado pelo recrudescimento da guerra no oriente médio e por uma forte correção nos preços de ativos ligados ao boom de inteligência artificial. O primeiro elevou o preço do petróleo em 22%, com o barril do brent fechando o mês acima dos 90 dólares. O segundo, acabou beneficiando mercados que vinham perdendo apelo frente ao otimismo com a onda de IA. De fato, ambos movimentos parecem explicar a alta de 3,5% do Ibovespa no mês. O setor de óleo e gás liderou e contribuiu com +2,7p.p dessa alta (Petrobras subiu 15%) seguido pelo setor financeiro (+1.1pp).
Na economia interna, a tônica foi de desaceleração da atividade e da inflação. Indicadores de varejo e serviços e do mercado de trabalho vieram mais fracos do que se esperava, sugerindo que a política monetária finalmente está pesando na economia. Porém as surpresas baixistas mais fortes foram realmente da inflação. Tanto o IPCA quanto IPCA-15 mostram clara reversão das medidas que o BC mais olha, como a inflação de serviços e as médias de núcleos. Por um lado, estes números mais fracos abrem caminho para que o BC siga cortando juros na próxima reunião de setembro. Por outro, a continuidade de cortes nos meses seguintes segue prejudicada pela piora das expectativas de inflação mais longas. Por exemplo, a mediana do relatório Focus para 2028 continuou subindo e está em 3,80 (ante os 3,0% da meta). Acreditamos que a economia e a inflação devem continuar desacelerando nos próximos meses, abrindo a porta para mais cortes de juros: esperamos que a Selic encerre o ano em 13,25%.
Versa Institucional FIA
por Luiz Alves
Em julho, a carteira voltou a apresentar desempenho inferior ao do índice de referência, o Ibovespa. Não encontramos, nem no valuation nem na operação das empresas, explicação que justifique o comportamento dos papéis. O que temos observado ao longo do ano é uma perda consistente de valor, e não de lucratividade, movimento que fica evidente na compressão dos múltiplos preço/lucro.
O principal responsável segue sendo a curva de juros. Ela voltou a subir no início do ano, pressionada pela alta do petróleo e por leituras de inflação um pouco acima do esperado, e permanece elevada mesmo diante de dados de inflação e de atividade econômica mais fracos e da queda continuada da Selic.
As empresas da nossa carteira não têm endividamento excessivo, algumas operam com caixa líquido, são líderes em seus mercados, têm marcas fortes, geram caixa e contam com ações de alta liquidez. É uma carteira construída para atravessar cenários adversos.
A mudança no nosso estilo de investimento, que anteriormente contemplava ações ilíquidas de empresas em dificuldade, é definitiva. Acreditamos que ela trará os melhores resultados assim que as variáveis macroeconômicas se normalizarem.
Versa Long Biased FIM
por Luiz Alves
Versa Fit Long Biased FIM
por Luiz Alves
Versa Genesis FIA
por Marcelo Gonçalves
O fundo Versa Genesis caiu 3,9% em julho, enquanto o IEEX (índice que acompanha o setor de utilities) caiu 0,5%. A performance foi impactada fortemente pela contribuição negativa da posição em TIM, que recuou 11% no mês.
Na nossa opinião, a TIM reportou um resultado em linha com o esperado. O que mudou foi o comportamento da Vivo. Líder de market share tanto em clientes quanto em receita, e com a melhor cobertura de rede, a Vivo historicamente mantém preços em linha com o mercado ou com um pequeno prêmio. Desde o fim do ano passado, no entanto, passou a lançar ofertas agressivas para novos clientes, tanto no pré-pago quanto no plano controle. O segundo trimestre confirmou o efeito: a Vivo voltou a ganhar usuários no pré-pago, enquanto a TIM seguiu perdendo base.
Na nossa visão, essa mudança de postura altera a estrutura competitiva do mercado e deve forçar respostas mais agressivas de TIM e Claro. Zeramos, portanto, a posição em TIM em julho e adicionamos mais uma empresa no exterior: a Verizon.
A Verizon negocia praticamente ao mesmo múltiplo de lucros da TIM (em torno de 10x P/L), com alguma perspectiva de aumento de rentabilidade nas operações. Não nos parece coerente que ambas fiquem no mesmo patamar de valuation, dada a diferença entre os juros no Brasil e nos Estados Unidos: no mercado brasileiro, o custo de capital muito mais alto exige um prêmio de risco maior para qualquer ativo. Recentemente, tratamos em detalhe o peso dos juros altos nas empresas brasileiras em um artigo.
As principais posições do fundo continuam sendo CPFL, Copel e Sabesp.
Versa Tracker FIM
por Tarik Migliorini
O Tracker caiu 20,7% no mês. O destaque negativo foi principalmente o livro de ações (mesma estratégia do Fit e Versa LB), que contribuiu com -13,3 p.p. A estratégia de momentum também teve queda relevante, contribuindo com -7,4 p.p. De fato, o fator momentum teve performance ruim em quase todos os mercados mundo afora. Ou seja, em linhas gerais, quase tudo que estava indo bem no ano foi mal no mês, e quem estava indo mal foi bem. Por fim, a estratégia de juros também teve contribuição negativa de -0,8 p.p, refletindo os números de inflação piores do que o esperado e consequente limitação para queda de juros no futuro.
