Comentário Macro
por Tarik Migliorini
Abril foi um mês forte para as bolsas mundiais, recuperando boa parte das perdas de março. Na geopolítica, os mercados não parecem estar preocupados com efeitos negativos duradouros da guerra, a despeito de mais um mês sem resolução do conflito. Para alguns países, o tema de tecnologia e IA voltou a empolgar. Fortes resultados corporativos indicaram que a demanda mundial por computação continua robusta, e que as empresas já começam a reportar ganhos de produtividade com a tecnologia. Nesta toada, o S&P 500 avançou 10,4%, concentrado nas maiores empresas de tecnologia. As bolsas de Taiwan (34%) e Coreia do Sul (24%) surfaram ainda mais no tema.
No Brasil, o desempenho foi mais fraco: o Ibovespa ficou de lado, e quem se apreciou foi só o Real (4,4%). Para essa dinâmica, o tema dos juros pode ter influenciado. Os números correntes de inflação continuaram a vir salgados e as expectativas do relatório Focus para 2027 e 2028 seguiram em alta. Em um contexto de economia aquecida, o impacto esperado da alta do petróleo nos preços gerais ao consumidor tem sido revisado para cima, mesmo em horizontes mais longos. O ritmo e a extensão do ciclo de cortes este ano têm sido colocados em dúvida. Antes do início da guerra, a curva de juros precificava a Selic chegando em 12% no final deste ano. Atualmente, precifica em 14%.
Versa Institucional FIA
por Luiz Alves
O destaque negativo do Institucional, carteira sem alavacangem, foi YDUQs, 3° maior investimento da carteira, que caiu 18% sem outra explicação que os juros altos e a expectativa de um primeiro trimestre impactado pela nova regulação do ensino a distância. Investimos em YDUQs pela massiva e recorrente geração de caixa de 2025, que deve aumentar em 2026 apesar dos resultados estáveis.
Suzano também caiu em antecipação a um resultado mais fraco, confirmado no final do mês, pelas paradas de manutenção e reestocagem que comprometeram as vendas e a diluição dos custos fixos. Além disso, pesou no papel o último reajuste de preços da celulose apenas para a Europa e América do Norte, visto como indício de que os reajustes para a Ásia acabaram. Mantemos o investimento em Suzano pois enxergamos expansão de receita e rentabilidade nos próximos trimestres, apesar do Real mais apreciado. Suzano também é uma importante proteção cambial para a carteira.
As mudanças marginais na composição do Institucional foram passivas, fruto das flutuações de preço relativa dos papéis
Versa Long Biased FIM
por Luiz Alves
O desempenho do Versa Long Biased depende principalmente do retorno da carteira em relação ao índice Bovespa. A distribuição dos papéis da carteira do VLB é diferente do Institucional. O Versa tem posições maiores em papéis que adicionam menos risco à carteira segundo os parâmetros da B3. Isso permite ao fundo navegar com uma posição maior, usando o BOVA11 para financiar a alavancagem. YDUQs, por essa metodologia acabou, ainda maior no Versa, causando forte prejuízo no mês.
Durante a queda controlamos a alavancagem do fundo de forma automatizada, garantindo a convexidade da estratégia, e fazendo apenas as operações necessárias de forma a minimizar os custos e dar condições para o fundo se recuperar quando o desempenho da carteira for melhor que o do Ibovespa
Versa Fit Long Biased FIM
por Luiz Alves
O Versa Fit tem as posições com a mesma proporção do Institucional, porém o fundo fica com apenas 60% do patrimônio comprado em ações e, alavancado 1,4x ao retorno relativo da carteira.
Versa Genesis FIA
por Marcelo Gonçalves
O fundo Versa Genesis registrou uma rentabilidade de 4,3% no mês de abril, impulsionado pelo bom desempenho do setor de utilities no período.
Apesar de um mês sem eventos de grande impacto no setor, observamos contribuições positivas expressivas em nossa carteira, com destaque para CPFL, Equatorial e Copel.
No caso da CPFL, a companhia declarou oficialmente os dividendos relativos ao exercício de 2025, um montante mais de 30% superior ao distribuído no ano anterior. Embora a declaração e o valor já fossem de conhecimento do mercado desde a convocação para a assembleia de acionistas, em março, os papéis reagiram de forma bastante positiva ao longo do mês. O dividend yield da ação, considerando este provento, situa-se na casa dos 7%. Em nossas projeções, esse patamar de distribuição é sustentável em termos reais para os próximos anos, assumindo que a empresa não realize novas aquisições e esteja confortável em elevar gradualmente sua alavancagem até 2030, momento em que o ciclo de investimentos mais intensos na rede de distribuição e transmissão devem começar a arrefecer.
Ainda em abril, iniciamos nossa primeira posição em um FIP (Fundo de Investimento em Participações) listado em bolsa, via aquisição de cotas do BRZP11. Este fundo possui como ativo único o Porto de Itapoá, localizado na região Sul do Brasil. A nossa tese de investimento baseia-se em uma Taxa Interna de Retorno (TIR) altamente atrativa do ativo, mesmo após o desconto das taxas de administração pagas à gestão do FIP. Atualmente, projetamos um dividend yield de cerca de 7% para os próximos 12 meses, aliado a excelentes perspectivas de crescimento para a operação.
Nossas principais posições continuam sendo no setor de distribuição via CPFL, Equatorial e Energisa.
Versa Tracker FIM
por Tarik Migliorini
O tracker subiu 0.77% no mês. O book de ações (mesma estratégia do Versa LB e Fit, e explicada acima) foi o destaque negativo e retirou 11.2 p.p da performance mensal. Na outra ponta, a estratégia de momentum ajudou com 10.4 p.p, revertendo as perdas que essa teve em março. A estratégia de juros contribuiu com 1 p.p, ajudada pelo leve fechamento das taxas de juros real no mês.
