Eleições 2018, Cap.2 – O PT está no segundo turno?

Luiz Alves

23 de agosto de 2018

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Com a Bolsa zerada no ano apesar dos avanços na economia e no resultado das empresas, as eleições ganharam relevância para os investimentos. Caso um candidato liberal como Alckmin, Bolsonaro ou Marina vençam o pleito, enxergamos grande potencial de valorização das ações. Do outro lado, um programa de governo intervencionista como Lula (Haddad) e Ciro seriam mal recebidos pelos mercados e causariam perdas de curto prazo. Nos preços atuais, avaliamos que a Bolsa precifica maior probabilidade de vitória de um candidato intervencionista. Nossos estudos, entretanto, apontam para a vitória de um candidato liberal.

Assimetria da Bolsa

o Ibovespa costuma negociar entre 10 e 14 vezes o lucro 1 ano a frente das empresas que compõe o índice. Este indicador é afetado pela expectativa de crescimento e pela taxa de desconto. Quando as perspectivas de crescimento de lucro são boas, a bolsa sobe e negocia a um múltiplo mais alto. Quando as perspectivas são ruins, mais baixo. Nos últimos trimestres a lucratividade das empresas voltou a subir e espera-se a continuação da melhora. Apesar das boas perspectivas, a bolsa está negociando perto dos múltiplos mais baixos.

Preço/Lucro do Ibovespa 12 meses à frente (fonte: Bloomberg)

A taxa de desconto também afeta diretamente o múltiplo que a bolsa negocia. Quando a taxa de juros de longo prazo permanece baixa por muito tempo, os mercados reduzem a taxa de desconto das ações e o preço/lucro da bolsa expande. Após vários anos de taxas de juros próximas a zero, o preço/lucro do S&P (bolsa americana) expandiu significativamente.

Preço/Lucro do S&P 12 meses à frente (fonte: Bloomberg)

A taxa de juros de 10 anos do Brasil estava nos menores patamares da história até o início do ano, e voltou à média histórica recentemente.

Taxa de juros de um título brasileiro sintético de 10 anos (fonte: Bloomberg)

Juntando as partes da equação, chegamos a um cenário assimétrico para estas eleições. Se um candidato intervencionista assumir a presidência, acreditamos que o Bovespa pode chegar próximo ao preço/lucro de 8,5 vezes, o mais baixo que negociou nos últimos 10 anos, implicando uma queda de -20%. Por outro lado, se um candidato liberal e reformista assumir, acreditamos que o mercado precificará nas ações os 2 efeitos ao mesmo tempo: a aceleração do crescimento da empresas, e uma taxa de juros mais baixa por um longo período. Com isso achamos que a Bolsa irá superar a parte de cima da banda que negocia, ultrapassando +40% de alta.

Quais candidatos têm maior chance de chegar ao segundo turno?

Estas eleições presidenciais começaram únicas pelo líder das pesquisas ser um presidiário e por ser a primeira sob as novas regras de campanha. O tempo total de campanha caiu de 90 para 45 dias, e a propaganda no rádio e na TV foi reduzida de 45 para 35 dias. Por último, o financiamento privado de campanha foi proibido e as chapas passaram a dividir, de forma desigual, o fundo eleitoral.

O esforço de campanha mais curto e mais concentrado torna difícil a comparação com as outras eleições para presidente nesta mesma época do ano. A dispersão dos votos entre os candidatos também é uma raridade, vista pela última vez nas eleições de 89. Para desenhar o cenário eleitoral fizemos extensa análise do pleito para prefeito de 2016, a primeira sob as novas regras eleitorias, e juntamos com a análise das outras corridas para presidente, já apresentada no artigo escrito no fim de 2017. A conclusão foi: o candidato do establishment tem a maior probabilidade de chegar ao segundo turno.

Das 26 capitais brasileiras (excluindo o DF), conseguimos os dados da pesquisa IBOPE do final de agosto e os tempos de propaganda de 20 delas. São, por ordem de tamanho, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus, Curitiba, Recife, Porto Alegre, Goiânia, Belém, São Luis, Maceió, Natal, Campo Grande, João Pessoa, Aracajú, Cuiabá, Florianópolis e Macapá. Analisamos o comportamento de 91 candidatos, os principais em cada estado segundo a intenção de votos. Apesar da amostra ser pequena, alguns resultados são significantes:

(1) 95% dos candidatos com maior tempo de TV foram para o 2° turno ou foram eleitos no 1° turno. A excessão foi o Rio de Janeiro. 40% dos candidatos com maior tempo na TV começaram líderes, 15% empatados tecnicamente com o 2° colocado, e os outros 45% começaram não-líderes.

(2) 85% dos candidatos com o maior tempo de TV tiveram incremento das intenções de voto entre a pesquisa IBOPE e o 1° turno. As excessões foram Salvador (ACM Neto-DEM 68% -> 64%) e Campo Grande (Rose Modesto-PSDB 25% -> 24%).

(3) 25% dos candidatos com maior tempo de TV possuíam menos de 13% na pesquisa IBOPE e estavam atrás ou no 3° lugar, e passaram ao segundo-turno (SP João Dória-PSDB 9%, POA Sebastião Melo-PMDB 10%, BEL Zenaldo-PSDB 11%, MCP Gilvam Borges-PMDB 12% e GYN Vanderlan-PSB 13%).

(4) Dos candidatos que não tinham o maior tempo de TV mas começaram líderes na campanha, 78% foram para o segundo-turno. As excessões foram SP Russomano-PRB e POA Luciana Genro-PSOL.

(5) 50% dos candidatos tiveram até 1 minuto e 30 segundos de campanha (mesmo que o PT e o PMDB em 2018). Desses, 48% tiveram redução na pontuação entre o IBOPE e o 1° turno.

Juntando os dados

O ítem (1) indica que pode haver correlação reversa entre o tempo de TV e o sucesso eleitoral. Sob esta ótica, o establishment mostra grande competência em aliar-se a candidatos que chegam no segundo turno, errando apenas em 1 das 20 capitais. O (3) mostra que o establishment também consegue vislumbrar o potencial de candidatos distantes dos líderes. Já o ítem (2) mostra que a propaganda na TV e rádio tem efeito inequívoco na pontuação dos candidatos. Estes resultados virtualmente colocam Geraldo Alckmin no segundo turno.

Prever o concorrente do Alckmin é a maior dificuldade destas eleições. Os candidatos com menor tempo de TV (5) mostram chances iguais de subir ou cair nas pesquisas. Por outro lado, candidatos líderes da pesquisa (4) têm grande chance de chegar ao segundo-turno.

Seria necessário uma amostra maior para seccionar os dados entre os candidatos apoiados pelo establishment que saíram de trás e chegaram no segundo turno, e verificar se os 80% de sucesso nos 5 casos destas eleições para prefeito se mantém. Este é o risco desta livre-interpretação dos dados.

O Lula e o PT

As pesquisas com Lula mostram-no com 37% dos votos e larga vantagem para o segundo colocado, causando grande confusão pois não refletem a corrida eleitoral, já que ele não participará. Se concorresse, Lula teria grande chance de estar no 2° turno. É notável a queda da rejeição do candidato e do partido de 2016 até hoje, levando à especulação que Lula tem grande potencial de transferir votos para o seu substituto, Haddad.

Qualquer prognóstico do tipo é especulação. Estatísticas são instáveis, e os índices de rejeição dos candidatos flutuam durante a campanha. Segundo o IBOPE, 62% dos eleitores usam a televisão para se informarem. Uma propaganda negativa do PT pode aumentar a rejeição do partido. Haddad é menos conhecido que os outros candidatos, mas não é possível correlacionar o desconhecimento com o potencial de transferência de votos. Por isso avaliamos Haddad como um candidato com potencial, 1 minuto e 30 segundos de TV e a mesma dificuldade dos outros para derrotar o establishment. Começando com apenas 4% das intenções de voto, as chances do PT chegar ao segundo turno são baixas.

Concluindo, nossos cenários de maior probabilidade para o segundo turno são Alckmin vs Bolsonaro e Alckmin vs Marina. Alckmin deve continuar a subir nas pesquisas, acelerando após o início da propaganda na TV.

Com a Bolsa zerada no ano apesar dos avanços na economia e no resultado das empresas, as eleições ganharam relevância para os investimentos. Caso um candidato liberal como Alckmin, Bolsonaro ou Marina vençam o pleito, enxergamos grande potencial de valorização das ações. Do outro lado, um programa de governo intervencionista como Lula (Haddad) e Ciro seriam mal recebidos pelos mercados e causariam perdas de curto prazo. Nos preços atuais, avaliamos que a Bolsa precifica maior probabilidade de vitória de um candidato intervencionista. Nossos estudos, entretanto, apontam para a vitória de um candidato liberal.

Assimetria da Bolsa

o Ibovespa costuma negociar entre 10 e 14 vezes o lucro 1 ano a frente das empresas que compõe o índice. Este indicador é afetado pela expectativa de crescimento e pela taxa de desconto. Quando as perspectivas de crescimento de lucro são boas, a bolsa sobe e negocia a um múltiplo mais alto. Quando as perspectivas são ruins, mais baixo. Nos últimos trimestres a lucratividade das empresas voltou a subir e espera-se a continuação da melhora. Apesar das boas perspectivas, a bolsa está negociando perto dos múltiplos mais baixos.

Preço/Lucro do Ibovespa 12 meses à frente (fonte: Bloomberg)

A taxa de desconto também afeta diretamente o múltiplo que a bolsa negocia. Quando a taxa de juros de longo prazo permanece baixa por muito tempo, os mercados reduzem a taxa de desconto das ações e o preço/lucro da bolsa expande. Após vários anos de taxas de juros próximas a zero, o preço/lucro do S&P (bolsa americana) expandiu significativamente.

Preço/Lucro do S&P 12 meses à frente (fonte: Bloomberg)

A taxa de juros de 10 anos do Brasil estava nos menores patamares da história até o início do ano, e voltou à média histórica recentemente.

Taxa de juros de um título brasileiro sintético de 10 anos (fonte: Bloomberg)

Juntando as partes da equação, chegamos a um cenário assimétrico para estas eleições. Se um candidato intervencionista assumir a presidência, acreditamos que o Bovespa pode chegar próximo ao preço/lucro de 8,5 vezes, o mais baixo que negociou nos últimos 10 anos, implicando uma queda de -20%. Por outro lado, se um candidato liberal e reformista assumir, acreditamos que o mercado precificará nas ações os 2 efeitos ao mesmo tempo: a aceleração do crescimento da empresas, e uma taxa de juros mais baixa por um longo período. Com isso achamos que a Bolsa irá superar a parte de cima da banda que negocia, ultrapassando +40% de alta.

Quais candidatos têm maior chance de chegar ao segundo turno?

Estas eleições presidenciais começaram únicas pelo líder das pesquisas ser um presidiário e por ser a primeira sob as novas regras de campanha. O tempo total de campanha caiu de 90 para 45 dias, e a propaganda no rádio e na TV foi reduzida de 45 para 35 dias. Por último, o financiamento privado de campanha foi proibido e as chapas passaram a dividir, de forma desigual, o fundo eleitoral.

O esforço de campanha mais curto e mais concentrado torna difícil a comparação com as outras eleições para presidente nesta mesma época do ano. A dispersão dos votos entre os candidatos também é uma raridade, vista pela última vez nas eleições de 89. Para desenhar o cenário eleitoral fizemos extensa análise do pleito para prefeito de 2016, a primeira sob as novas regras eleitorias, e juntamos com a análise das outras corridas para presidente, já apresentada no artigo escrito no fim de 2017. A conclusão foi: o candidato do establishment tem a maior probabilidade de chegar ao segundo turno.

Das 26 capitais brasileiras (excluindo o DF), conseguimos os dados da pesquisa IBOPE do final de agosto e os tempos de propaganda de 20 delas. São, por ordem de tamanho, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus, Curitiba, Recife, Porto Alegre, Goiânia, Belém, São Luis, Maceió, Natal, Campo Grande, João Pessoa, Aracajú, Cuiabá, Florianópolis e Macapá. Analisamos o comportamento de 91 candidatos, os principais em cada estado segundo a intenção de votos. Apesar da amostra ser pequena, alguns resultados são significantes:

(1) 95% dos candidatos com maior tempo de TV foram para o 2° turno ou foram eleitos no 1° turno. A excessão foi o Rio de Janeiro. 40% dos candidatos com maior tempo na TV começaram líderes, 15% empatados tecnicamente com o 2° colocado, e os outros 45% começaram não-líderes.

(2) 85% dos candidatos com o maior tempo de TV tiveram incremento das intenções de voto entre a pesquisa IBOPE e o 1° turno. As excessões foram Salvador (ACM Neto-DEM 68% -> 64%) e Campo Grande (Rose Modesto-PSDB 25% -> 24%).

(3) 25% dos candidatos com maior tempo de TV possuíam menos de 13% na pesquisa IBOPE e estavam atrás ou no 3° lugar, e passaram ao segundo-turno (SP João Dória-PSDB 9%, POA Sebastião Melo-PMDB 10%, BEL Zenaldo-PSDB 11%, MCP Gilvam Borges-PMDB 12% e GYN Vanderlan-PSB 13%).

(4) Dos candidatos que não tinham o maior tempo de TV mas começaram líderes na campanha, 78% foram para o segundo-turno. As excessões foram SP Russomano-PRB e POA Luciana Genro-PSOL.

(5) 50% dos candidatos tiveram até 1 minuto e 30 segundos de campanha (mesmo que o PT e o PMDB em 2018). Desses, 48% tiveram redução na pontuação entre o IBOPE e o 1° turno.

Juntando os dados

O ítem (1) indica que pode haver correlação reversa entre o tempo de TV e o sucesso eleitoral. Sob esta ótica, o establishment mostra grande competência em aliar-se a candidatos que chegam no segundo turno, errando apenas em 1 das 20 capitais. O (3) mostra que o establishment também consegue vislumbrar o potencial de candidatos distantes dos líderes. Já o ítem (2) mostra que a propaganda na TV e rádio tem efeito inequívoco na pontuação dos candidatos. Estes resultados virtualmente colocam Geraldo Alckmin no segundo turno.

Prever o concorrente do Alckmin é a maior dificuldade destas eleições. Os candidatos com menor tempo de TV (5) mostram chances iguais de subir ou cair nas pesquisas. Por outro lado, candidatos líderes da pesquisa (4) têm grande chance de chegar ao segundo-turno.

Seria necessário uma amostra maior para seccionar os dados entre os candidatos apoiados pelo establishment que saíram de trás e chegaram no segundo turno, e verificar se os 80% de sucesso nos 5 casos destas eleições para prefeito se mantém. Este é o risco desta livre-interpretação dos dados.

O Lula e o PT

As pesquisas com Lula mostram-no com 37% dos votos e larga vantagem para o segundo colocado, causando grande confusão pois não refletem a corrida eleitoral, já que ele não participará. Se concorresse, Lula teria grande chance de estar no 2° turno. É notável a queda da rejeição do candidato e do partido de 2016 até hoje, levando à especulação que Lula tem grande potencial de transferir votos para o seu substituto, Haddad.

Qualquer prognóstico do tipo é especulação. Estatísticas são instáveis, e os índices de rejeição dos candidatos flutuam durante a campanha. Segundo o IBOPE, 62% dos eleitores usam a televisão para se informarem. Uma propaganda negativa do PT pode aumentar a rejeição do partido. Haddad é menos conhecido que os outros candidatos, mas não é possível correlacionar o desconhecimento com o potencial de transferência de votos. Por isso avaliamos Haddad como um candidato com potencial, 1 minuto e 30 segundos de TV e a mesma dificuldade dos outros para derrotar o establishment. Começando com apenas 4% das intenções de voto, as chances do PT chegar ao segundo turno são baixas.

Concluindo, nossos cenários de maior probabilidade para o segundo turno são Alckmin vs Bolsonaro e Alckmin vs Marina. Alckmin deve continuar a subir nas pesquisas, acelerando após o início da propaganda na TV.

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