Comentário Macro
por Tarik Migliorini
O otimismo com o tema da inteligência artificial voltou a fazer preço nas bolsas mundiais em maio. Os países asiáticos que exportam insumos para a cadeia de IA foram os mais beneficiados: Coreia subiu +26,2% em dólar, Taiwan +16% e Japão +10%. Nos EUA, o S&P500 subiu +5%, também muito ajudado pelo setor de tecnologia. Se por um lado a atividade econômica americana segue bastante resiliente ao choque de preços no petróleo, a inflação por lá também continua alta. Não há mais expectativas de corte de juros este ano e o mercado passou a precificar chance grande de aumento (algo como 65% de probabilidade de pelo menos uma elevação na Fed Funds rate).
Em um cenário onde o dinheiro vai para inteligência artificial e renda fixa americana, os mercados emergentes naturalmente perdem apelo. As bolsas desses países tiveram performance relativamente mais fraca. O Brasil, no entanto, foi um dos piores: o Ibovespa em dólares caiu -8,6%.
Por aqui, a principal notícia negativa veio da inflação. O IPCA e o IPCA-15 continuaram a indicar um cenário bastante complicado para o BC. As métricas que mais importam, como os núcleos e a inflação de serviços, seguiram em alta. Dá para dizer que a inflação "subjacente" no Brasil subiu para algo na casa dos 5% a.a., vindo de 4% a.a. no início do ano. Com isso, o mercado praticamente deixou de precificar cortes na Selic nos próximos meses. Juros mais altos naturalmente prejudicaram as ações no mês em todos os setores.
Versa Institucional FIA
por Luiz Alves
O Institucional, carteira de ações sem alavancagem, caiu 2% menos que o índice Bovespa no mês. BTG Pactual foi o destaque negativo apesar dos resultados sólidos e acima do esperado do 1° trimestre divulgados ao longo do mês. O lucro do banco cresceu 43% em relação à 2025, com forte desempenho em todos os segmentos do banco. A queda pode ser explicada pela expectativa de uma desaceleração no 2º trimestre das emissões de dívidas e de ações, ou pelo medo do aumento da inadimplência como vem aparecendo nos relatórios de crédito do Banco Central. Acreditamos que, mesmo a um ritmo menos forte, o banco continuará com o maior crescimento de lucro dentre os bancos, e negociando a pouco mais de 10x o lucro com retorno sobre o patrimônio líquido de 24%, o BTG continua o melhor investimento do setor.
Yduqs, nosso maior investimento, divulgou um resultado em linha com o esperado, com novos alunos sofrendo o impacto na mudança da regulação do EAD que restringiu cursos puramente online. Por outro lado, as divisões premium (medicina e Ibemec) continuaram crescendo forte e já representam 40% do lucro operacional. Além disso o resultado mostrou a forte geração de caixa do segmento e a empresa guiou para a continuidade dessa geração ao longo do ano. Após dois anos consecutivos entregando o que guiaram, a empresa tem credibilidade. Nas nossas contas, em 4 anos a empresa gerará todo o seu valor de mercado em caixa. Com essa geração de caixa e crescimento de lucro, Yduqs é o papel mais barato da bolsa.
Ao longo do mês, após os resultados e as performances relativas, aumentamos marginalmente Yduqs em detrimento de Suzano e Vivara. No 1° trimestre o resultado de Suzano sofreu o impacto de vendas mais fracas com as paradas de manutenção e do Real mais apreciado. Estes efeitos terão menor impacto nos próximos trimestres, entretanto o mercado de celulose dá sinais de equilíbrio e os aumentos de preço estão mais difíceis, piorando as perspectivas para a companhia. Nos preços atuais, na nossa avaliação, Suzano continua a empresa de matérias primas mais barata da bolsa e uma boa proteção contra a depreciação do Real, por isso mantivemos um investimento pequeno no papel.
Obs: ao longo do mês o ticker de ODPV3 mudou para SAUD3
Versa Long Biased FIM
por Luiz Alves
O desempenho do Versa Long Biased depende tanto do retorno absoluto da carteira quanto do retorno em relação ao índice Bovespa. Em maio o desempenho relativo da carteira melhor do que o BOVA11 ajudou a amenizar as perdas com a queda da carteira.
A maior contribuição do mês foi Renner, que subiu 10% com as perspectivas de vendas mais fortes em função do frio atípico no Sudeste dos últimos meses. Esse frio contrapôs a expectativa de um inverno mais quente em função do El Nino. O destaque negativo foi Yduqs, maior investimento do fundo, que caiu 3,7%.
As mudanças da carteira refletem as mudanças no Versa Institucional e o reequilíbrio das posições utilizando os parâmetros de risco da B3.
Versa Fit Long Biased FIM
por Luiz Alves
O Versa Fit tem a mesma composição do Versa Institucional, porém o fundo fica com apenas 60% do patrimônio comprado em ações e, alavancado 1,4x ao retorno relativo da carteira. Com esse equilíbrio o fundo tem maior exposição ao retorno da carteira em relação ao Bova11 e menor ao retorno absoluto. Por isso o fundo terminou em alta no mês.
Versa Genesis FIA
por Marcelo Gonçalves
O fundo Versa Genesis teve uma queda de 18% no mês de maio. Finalmente o setor de utilities em geral, e nossas posições no fundo em particular, tiveram que se deparar com a realidade do aumento do custo de capital no Brasil.
O yield da NTN-B 2050 subiu 17 bps no mês, o que, apesar de ser negativo para os valuations das empresas, não justifica, por si só, uma queda de 18% no fundo. O que ocorreu, na nossa opinião, é que o mercado percebeu — e nós também — que teremos que conviver com um patamar de juros alto por mais tempo, como destacamos na nossa introdução sobre o cenário macro.
Diante disso, fizemos diversas mudanças no portfólio ao longo do mês. Iniciamos mais uma posição em infraestrutura nos Estados Unidos via AEP (American Electric Power) e aumentamos nossa exposição a empresas locais que geram caixa em 2026, como Copel e CPFL (sobre a qual escrevemos um artigo recentemente), em detrimento de empresas que consomem caixa neste ano e possivelmente no próximo.
O fato é que, com os juros se mantendo no patamar de 14% por mais tempo, as empresas que estão consumindo caixa devem sofrer uma compressão de lucro líquido nos próximos anos, pois o crescimento do EBITDA não conseguirá acompanhar o crescimento da despesa com juros. O patamar de juros atual no Brasil é insustentável pela própria dinâmica da dívida pública, que, mantida essa taxa, tende a crescer ano após ano. Sabemos, porém, que condições insustentáveis no longo prazo podem persistir por períodos prolongados. Por isso, resolvemos direcionar o portfólio para empresas que pagam dividendos — reduzindo assim o custo do capital que empregamos — e geram caixa.
A alavancagem do fundo permanece em 190% comprado, porém com um perfil de risco mais conservador do que no início de maio.
Versa Tracker FIM
por Tarik Migliorini
O Tracker caiu 7% no mês. Os destaques negativos foram a estratégia de momentum (-4,6p.p) e as posições aplicadas em juros reais (-3,5p.p). A estratégia de bolsa (mesma dos fundos Fit e Versa LB), já comentada acima, teve leve ganho de +0,7p.p.
