Hoje, Neoenergia é a maior posição do Versa Genesis. Nossa visão é que, com a redução dos juros reais de longo prazo no Brasil — atualmente próximos de 7,7% —, o valor justo das ações pode facilmente superar os R$32,50 pagos pela Iberdrola à Previ. Como escrevemos recentemente, vemos a companhia em fase final de um ciclo intenso de investimentos, o que deve abrir espaço para maior geração de caixa e retorno ao acionista. Experiências anteriores no setor, como Cemig e Copel, mostraram que a combinação de desalavancagem com maior previsibilidade de dividendos pode destravar valor relevante.
Na semana passada, a Neoenergia comunicou ao mercado que sua controladora, a espanhola Iberdrola, firmou acordo para adquirir a totalidade da participação detida pela Previ (30,3% do capital), por R$11,95 bilhões, equivalentes a R$32,50 por ação. Após a conclusão da operação, prevista para o quarto trimestre de 2025, a Iberdrola passará a deter 83,8% da companhia, extinguindo o acordo de acionistas vigente desde 2017.
A transação marca um ponto de inflexão na história da Neoenergia, ao eliminar a principal co-controladora e consolidar a estratégia de longo prazo da Iberdrola no Brasil. Para os minoritários, o movimento reforça a convicção do controlador sobre o valor das operações da companhia, mas também amplia a responsabilidade de garantir que o conselho de administração funcione como espaço efetivo de debate estratégico — e não apenas de referendo às decisões da controladora. Nesse sentido, a recente indicação de Elvira Presta, ex-CFO da Eletrobras, como conselheira independente foi um avanço importante para o equilíbrio de governança.
A Iberdrola vem sendo consistentemente bem avaliada pelo mercado, reflexo de sua disciplina na alocação de capital. Nos últimos anos, concentrou seus investimentos em redes de distribuição em mercados com regulação sólida e, em 2025, concluiu com sucesso um aumento de capital de €5 bilhões. Apenas uma fração desse montante, menos de €2 bilhões, foi destinada à aquisição da fatia da Previ, evidenciando que a empresa tem recursos suficientes inclusive para avaliar um eventual fechamento de capital da Neoenergia — operação que exigiria algo próximo de €2 bilhões adicionais.
A conclusão da aquisição da participação da Previ está prevista para o final do ano, um evento que pode catalisar movimentos estratégicos por parte da Iberdrola. Após a concretização dessa operação, surge a possibilidade de a Iberdrola considerar um futuro fechamento de capital da Neoenergia. No entanto, é importante ressaltar que, conforme mencionado anteriormente, nossa convicção sobre a solidez e o potencial da empresa não está condicionada à materialização de uma oferta de fechamento de capital.
