Julho foi um mês negativo para os fundos da casa. Embora a questão tarifária tenha dominado o noticiário, o tema pouco impactou os mercados. Certamente “ajudou” o fato de a economia brasileira ser relativamente fechada e a expectativa (confirmada) de que haveria exceções para boa parte da nossa pauta de exportações. Mesmo a alta de 1,9% do dólar no mês esteve muito em linha com o observado em outros países emergentes no período, ou seja, teve pouca relação com o tarifaço.
A piora da bolsa no mês está principalmente ligada à combinação de crescimento mais fraco e alta dos juros reais. Nos últimos meses, temos observado uma melhora nos dados correntes de inflação e os primeiros sinais de desaceleração econômica, fatores que normalmente abririam espaço para uma redução das taxas de juros. O Banco Central, entretanto, não tem demonstrado intenção de iniciar cortes, sobretudo porque as expectativas de inflação ainda seguem acima da meta. Com os juros nominais estáveis e a inflação em queda, os juros reais—que são os que realmente importam para a atividade econômica—seguem aumentando e já alcançam os níveis mais altos dos últimos 15 anos (veja o gráfico abaixo).
Em nossa visão, o BC precisaria observar sinais ainda mais claros de desaceleração do crescimento econômico, recuo da inflação e melhora nas expectativas de longo prazo para antecipar o seu plano de cortes de juros, que atualmente esperamos que se inicie por volta de março ou abril de 2026.
Após 4 meses seguidos de retornos superiores ao Ibovespa o Versa Institucional caiu 3% a mais que o índice em julho. Não vislumbramos uma mudança de tendência das empresas da carteira, mas uma acomodação em função da perspectiva de desaceleração da economia. Lojas Renner, maior contribuidora para o resultado positivo do ano, foi o principal destaque negativo após indícios de menor atividade no varejo vestuário ao longo do mês. Ainda é cedo para separar efeitos permanentes da flutuação normal das vendas pois apesar da queda recente nos índices de confiança do consumidor e do empresariado, o desemprego atingiu novas mínimas e a formação da massa salarial continua forte. Esperamos que a alta dos juros reduza a venda de eletrônicos, eletrodomésticos e imóveis, tickets maiores com prazos longos. As varejistas as quais temos exposição (Lojas Renner e Guararapes) financiam compras menores a prazos mais curtos, ficando menos expostas ao ciclo de crédito. A segunda maior contribuidora para o resultado negativo, Ecorodovias, está inversamente relacionada à taxa de juros real que aumentou ao longo do mês. No final de julho a empresa divulgou um bom resultado relativo ao segundo trimestre do ano, com ganhos de escala e investimentos controlados, reforçando nossa confiança na ação.
A carteira do Versa institucional está preparada para um cenário de desaceleração moderada da economia e juros elevados por mais tempo do que o mercado acredita. Ainda temos investimentos em Suzano, SLC e JBS que protegem contra uma depreciação cambial acelerada. Uma desaceleração abrupta da economia, por outro lado, levaria a uma queda mais rápida dos juros e o resultado da carteira dependeria do equilíbrio entre a maior atratividade das ações face aos juros mais baixos e os efeitos nas vendas e lucratividade das empresas.
| Institucional FIA | ||
| + Posição Long | -6,96% | |
| + Caixa e custos | -0,23% | |
| =Total | -7,18% | |
| – Benchmark (Ibov) | -4,17% | |
| = Excesso Benchmark | -3,02% | |
| Destaques do mês – Institucional FIA | ||||
| Maiores | Contribuição | Menores | Contribuição | |
| Odontoprev | 0,23% | Lojas Renner | -3,30% | |
| Suzano | 0,19% | EcoRodovias | -1,25% | |
| SLC Agricola | 0,18% | Estacio | -0,97% | |
| IRB Brasil | 0,08% | Guararapes | -0,82% | |
| JBS | – | Vulcabras | -0,65% | |
Os fundos long-biased seguiram a relação com o Institucional. O Versa caiu mais que o fundo pela alavancagem à perda relativa ao Ibovespa, enquanto o Fit equilibrou-se entre a maior perda relativa e a menor exposição direcional, ao redor de 60% do patrimônio.
| Long Biased | Fit | Versa |
| Carteira long | -7,03% | -6,67% |
| x | ||
| Alavancagem | 2,14 | 4,99 |
| = | ||
| + Posição Long | -15,01% | -33,28% |
| Carteira short (Bova11) | -4,33% | -3,74% |
| x | ||
| Alavancagem short | -1,56 | -3,91 |
| = | ||
| + Posição Short | 6,75% | 14,63% |
| + Hedge | 0,00% | 0,00% |
| + Financiamento, Caixa e Custos | -0,13% | 0,06% |
| = Total | -8,39% | -18,59% |
| – Benchmark (CDI) | 1,28% | 1,28% |
| = Excesso Benchmark | -9,66% | -19,87% |
Em julho começaram as operações automatizadas do Versa, que reduziram a exposição líquida nos primeiros dias de queda da bolsa, como mostra o gráfico abaixo. A redução automatizada amenizou as perdas e gerou a convexidade que as opções geravam. Mantemos, dessa forma, a mesma camada de proteção que tínhamos com as opções mas reduzimos drasticamente o custo de carregamento.
O fundo Versa Genesis teve um desempenho negativo de 12,6% em julho, refletindo um ambiente adverso para a bolsa brasileira, que recuou 4,2% no mês. As perdas foram amplamente distribuídas entre os ativos da carteira, com destaque negativo para CPFL, que sozinha impactou negativamente em 2,5 pontos percentuais a rentabilidade do fundo.
Como mencionamos na introdução, a alta dos juros reais no Brasil teve impacto direto sobre o desempenho das ações no portfólio, sobretudo nos setores mais sensíveis a esse movimento, como o de infraestrutura. Empresas com fluxos de caixa mais longos e regulados, como as do setor elétrico, tendem a sofrer com o aumento do custo de capital real, o que se refletiu na performance do fundo.
Apesar do cenário desafiador, seguimos confiantes nas distribuidoras de energia, segmento que consideramos mais resiliente e atrativo em relação às geradoras, dentro do setor elétrico. Em julho, publicamos um artigo detalhando os motivos por trás dessa preferência, que incluem maior previsibilidade de receita e regulação mais estável.
As principais posições do fundo seguem concentradas nas distribuidoras Neoenergia, Energisa e CPFL, empresas com fundamentos sólidos e boa execução operacional, que consideramos bem posicionadas para atravessar esse momento de maior aperto nas condições financeiras.
| Genesis | ||
| Carteira long | -6,49% | |
| x | ||
| Alavancagem | 1,95 | |
| = | ||
| + Posição Long | -12,63% | |
| + Long & Short | 0,46% | |
| + Financiamento, Caixa e Custos | -0,48% | |
| = Total | -12,66% | |
| – Benchmark (IPCA +YIMA-B) | 1,04% | |
| = Excesso Benchmark | -13,70% | |
| Destaques do mês – Genesis | ||||
| Maiores | Contribuição | Menores | Contribuição | |
| Allos | – | CPFL Energia | -2,49% | |
| Equatorial Energia | – | EcoRodovias | -2,15% | |
| Multiplan | – | Energisa | -2,13% | |
| TIM | – | Neoenergia | -1,94% | |
| Neoenergia | – | TIM | -1,57% | |
Como já comentado, o mês foi marcado por aumento das taxas de juros reais e sinais de desaceleração da economia, o que causou perdas na posição aplicada em juros (-7,9 p.p.) e na estratégia de bolsa (-7,5 p.p.), além de uma reversão no book de momentum (-2,7 p.p.). Embora o BC não esteja próximo de cortar a Selic, ainda vemos assimetria para baixo na curva de juros, especialmente nos juros reais. Os principais drivers seriam: i) uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica; ii) uma política monetária americana mais frouxa acompanhada de enfraquecimento do dólar; e iii) um resultado eleitoral favorável a reformas começar a ser precificado.
| Tracker | ||
| + Bolsa | -7,51% | |
| + Macro | -7,90% | |
| + Momentum | -2,72% | |
| + Caixa e Custos | 0,42% | |
| = Total | -17,71% | |
| – Benchmark (CDI) | 1,28% | |
| = Excesso Benchmark | -18,99% | |
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