Mais um mês positivo para o mercado brasileiro poderia parecer estranho diante do ruidoso cenário político atual. No entanto, outros dois fatores têm ajudado: o enfraquecimento do dólar globalmente e a queda da inflação sem uma desaceleração abrupta da atividade econômica.
O dólar teve seu pior desempenho em um primeiro semestre em mais de 50 anos, recuando 11% frente a uma cesta representativa de moedas e 12% frente ao real. As bolsas da maioria dos países emergentes também acumulam alta no ano. Em resumo, estamos surfando uma onda de fluxo de capitais saindo dos EUA e valorizando ativos mundo afora. Esse movimento estaria associado à percepção crescente de risco sobre os títulos do Tesouro americano, devido ao aumento dos déficits fiscais nos EUA e a política externa imprevisível.
Naturalmente, surge a dúvida sobre até onde esse movimento de desvalorização do dólar e fluxo para emergentes poderia ir. Considerando a amplitude de ciclos anteriores, o dólar ainda teria espaço teórico para continuar se desvalorizando.
Gráfico 1: Dólar vs. BRL e outras moedas Gráfico 2: Dólar global ajustado por inflação
Internamente, outro fator positivo tem sido a queda recente da inflação sem um impacto negativo significativo na atividade econômica. Nos últimos três meses, a projeção do relatório Focus para o IPCA deste ano recuou de 5,7% para 5,2%, com tendência de queda adicional. A desvalorização do dólar e a desaceleração nos preços dos alimentos contribuíram para esse cenário, mas o componente de serviços (menos influenciado pelo câmbio) também começou finalmente a desacelerar.
Nesse contexto, o mercado já precifica o início de um ciclo de cortes na taxa de juros pelo Banco Central na virada do ano. Por outro lado, o mercado de trabalho continua resiliente: a taxa de desemprego não subiu e a massa salarial real (população ocupada multiplicada pelos salários ajustados pela inflação) segue crescendo a quase 6% ao ano. Esse cenário é duplamente favorável para as empresas focadas no mercado doméstico (que representam boa parte da nossa carteira): juros em queda e demanda firme.
Nosso fundo long only sem alavancagem teve outro mês de retorno superior ao índice Bovespa. O fundo subiu 4,2% enquanto o benchmark avançou 1,3%. Os destaques do mês foram os mesmos de maio: Lojas Renner, Moura Dubeux e Ecorodovias. Renner continua a se beneficiar do crescimento da massa salarial real, fruto do aumento do emprego e queda da inflação descritos na primeira parte da carta, enquanto Ecorodovias, uma das empresas mais endividadas da bolsa pelo critério dívida líquida comparada ao LAJIDA, subiu com a expectativa de corte de juros mais cedo que o antevisto. Moura Dubeux tem diversos motivos para continuar a subir: vendas resilientes, valuation extremamente atrativo e aumento da liquidez do papel, de forma que é impossível apontar um único fator para a alta do papel.
O Institucional encerrou o semestre em alta de 39%, 24% acima do índice Bovespa, benchmark do fundo que subiu 15%. Com essa alta o fundo voltou a sobrepujar o Ibovespa desde sua fundação, e encontra-se a apenas 12% da maior cota atingida até hoje.
| Institucional FIA | ||
| + Posição Long | 4,39% | |
| + Caixa e custos | -0,23% | |
| =Total | 4,16% | |
| – Benchmark (Ibov) | 1,33% | |
| = Excesso Benchmark | 2,82% | |
| Destaques do mês – Institucional FIA | ||||
| Maiores | Contribuição | Menores | Contribuição | |
| Lojas Renner | 2,02% | Banco Pan | -0,57% | |
| Moura Dubeux | 1,59% | SLC Agricola | -0,43% | |
| EcoRodovias | 1,39% | IRB Brasil | -0,21% | |
| Suzano | 0,27% | JBS | -0,11% | |
| Vulcabras | 0,26% | Guararapes | – | |
Os fundos long-biased se beneficiaram do retorno em excesso do Institucional. O Versa subiu 10,7% no mês, encerrando o semestre em alta de 147,4%. O Fit subiu 6,7% no mês e 56,4% no semestre.
Neste semestre, após a queda do início do ano, ousamos uma mudança significativa na estratégia dos Long Biased: a substituição das opções por índice futuro. Após 3 anos de reformulações da estratégia com opções e análises multilaterais do resultado, concluímos que os custos não superaram os benefícios. Ainda é cedo para decretar o fim das opções, mas por hora estamos satisfeitos com o resultado da troca. A convexidade do fundo, que antes era automática através do derretimento das opções, agora é feita através da venda de índice Bovespa de forma automatizada usando um algoritmo que monitora a margem e risco do fundo.
Nos últimos 2 meses os fundos começaram a investir em IRB, explorado no artigo do Marcelo, e Odontoprev. São empresas com perfil mais defensivo, que têm resultados crescentes e se beneficiam da alta taxa SELIC.
| Long Biased | Fit | Versa |
| Carteira long | 4,26% | 3,97% |
| x | ||
| Alavancagem | 2,08 | 4,62 |
| = | ||
| + Posição Long | 8,84% | 18,32% |
| Carteira short (Bova11) | 1,38% | 2,65% |
| x | ||
| Alavancagem short | -1,46 | -2,72 |
| = | ||
| + Posição Short | -2,02% | -7,20% |
| + Hedge | 0,00% | 0,00% |
| + Financiamento, Caixa e Custos | -0,14% | -0,45% |
| = Total | 6,69% | 10,68% |
| – Benchmark (CDI) | 1,10% | 1,10% |
| = Excesso Benchmark | 5,59% | 9,58% |
Em junho, o fundo Versa Genesis avançou 6,1%, encerrando o primeiro semestre com performance positiva em todos os meses do ano. No acumulado de 2025, o fundo sobe 80%, refletindo a forte valorização dos setores ligados à infraestrutura no Brasil.
As maiores contribuições do semestre vieram de TIM, Ecorodovias e Neoenergia — empresas que se beneficiaram diretamente da compressão dos juros reais e da maior previsibilidade de receitas.
Durante o mês, realizamos uma troca no setor de shoppings: substituímos a posição em Allos por Multiplan. A decisão foi baseada no desempenho superior das vendas da Multiplan, tanto no 1T25 quanto historicamente, sustentada por um portfólio de ativos premium, com destaque para o Morumbi Shopping e o BarraShopping.
Além disso, enquanto a Allos distribuiu mais de 20% do valor de mercado em dividendos e recompras nos últimos 2 anos — impulsionada pela geração de caixa e venda de ativos —, essa prática não deve se repetir no mesmo ritmo. A empresa esgotou sua reserva de lucros e, atualmente, está limitada à distribuição do lucro contábil, o que deve resultar em um dividend yield* estimado de apenas 7% para 2025, considerando o preço atual da ação.
Encerramos o mês com uma posição relevante de 20% do fundo em Multiplan.E mantemos no fundo nossa alavancagem média de 190%.
*O dividend yield é calculado somando os dividendos pagos num período de 12 meses e dividindo esse valor pelo preço atual da ação. No caso de Allos, o yield estimado de 7% refere-se aos dividendos previstos para 2025, com base no lucro contábil, dividido pelo preço atual da ação.
| Genesis | ||
| Carteira long | 3,63% | |
| x | ||
| Alavancagem | 1,86 | |
| = | ||
| + Posição Long | 6,77% | |
| + Long & Short | -0,15% | |
| + Financiamento, Caixa e Custos | -0,48% | |
| = Total | 6,14% | |
| – Benchmark (IPCA +YIMA-B) | 0,77% | |
| = Excesso Benchmark | 5,36% | |
| Destaques do mês – Genesis | ||||
| Maiores | Contribuição | Menores | Contribuição | |
| TIM | 3,29% | Allos | -0,82% | |
| EcoRodovias | 1,81% | Equatorial Energia | -0,32% | |
| Multiplan | 1,13% | CPFL Energia | – | |
| Neoenergia | 0,96% | Energisa | – | |
| Energisa | 0,50% | Neoenergia | – | |
No semestre, o maior ganho do fundo veio do componente de bolsa (comum aos outros fundos da casa) e em seguida das posições aplicadas em juros, que se beneficiaram do fechamento da curva. Para o mês de junho, a posição em bolsa também foi o maior vetor de alta, seguido pelos ganhos do book de momentum (estratégia quantitativa que explora tendências de preços). Ao longo do mês, reduzimos a exposição líquida em bolsa do fundo (ou seja, posição long – posição short) para 50%, e aumentamos o risco via expansão das posições brutas, tanto em ações quanto em juros e momentum.
| Tracker | ||
| + Bolsa | 4,58% | |
| + Macro | 0,13% | |
| + Momentum | 2,54% | |
| + Caixa e Custos | 0,13% | |
| = Total | 7,39% | |
| – Benchmark (CDI) | 1,10% | |
| = Excesso Benchmark | 6,29% | |
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