Resumo do Mês
Em abril o S&P voltou a subir após as fortes quedas de fevereiro e março. A Bolsa ficou de lado pelo terceiro mês consecutivo. Já o Real perdeu 6,1% para o Dólar, pior mês desde setembro de 2015. No início do mês foram divulgados dados decepcionantes da economia, levando a revisões para baixo nas projeções de PIB. O boletim FOCUS que projetava crescimento de 2,9% em março recuou para 2,75% em abril. Já a projeção da inflação (IPCA) continua em trajetória descendente, saindo de 3,95% no início do ano para 3,49% em abril. Com a economia melhorando em ritmo mais lento que o esperado e sem pressão da inflação, a desvalorização do Real vem em boa hora, favorecendo a balança comercial. Com os juros já em patamar estimulativo, a desvalorização do Real faz pressão inflacionária e reduz a necessidade de novos cortes na taxa. Uma depreciação aguda como a do Peso argentino, por outro lado, pode interromper a recuperação. Por isso o Banco Central aumentou a oferta de dólares recentemente.
| 29-mar-18 | 30-abr-18 | Variação | |
| Versa | 7,123 | 7,162 | +0,6% |
| CDI aa | 6,6% | 6,4% | +0,5% |
| Ibovespa | 85.366 | 86.115 | +0,9% |
O Versa teve um mês de fundo de renda-fixa, rendendo 120% do CDI. O baixo resultado não reflete a grande movimentação dos papéis dentro da carteira. O destaque positivo foi a carteira Short (ações vendidas à descoberto), que caiu -3,2% no mês e gerou lucro de +4,7%. A carteira Long (ações compradas) também foi na direção contrária da Bolsa e caiu -1,6%, gerando prejuízo de -3,2%. A perda comprada foi parcialmente compensada pela carteira de opções (de ações e índice bovespa), que subiu +3,2% e gerou ganho de +1,1%. Os ganhos com ações foram compensados pela perda no câmbio de -2,4%.
O maior ganho de abril foi a posição vendida à descoberto em Ultrapar, que caiu -15% e gerou +3,0% de ganho para o fundo. A queda antecedeu o fraco resultado divulgado em maio, no qual o ambiente competitivo se refletiu nos números da empresa, como imaginamos no artigo Entrando no modo hard. O segundo melhor resultado do fundo foi a posição vendida em Raia-Drogasil que caiu -8,0% e gerou ganho de +1,7%. A desaceleração das vendas preocupa o mercado, que espera a continuidade do crescimento da receita e margens da empresa, como destacamos no Passa-se o ponto. A terceira melhor posição da carteira foi Brasil Foods, que subiu +8,6% no mês gerando lucro de +1,2% para o fundo. A maior perda do Versa em abril foi na posição comprada em Real contra o Dólar, que sofreu forte depreciação e causou prejuízo de -2,4%. Como escrevemos no último Resultado Quinzenal, dentre os países com inflação controlada o Real brasileiro teve a maior desvalorização frente ao Dólar americano até agora em 2018. O movimento foi causado principalmente pela diminuição do diferencial de juros entre os dois países. A segunda maior perda foi a posição vendida à descoberto em IRB que subiu +13% antes do bom resultado e causou prejuízo de -2,4% ao fundo.
| Livro | Posição Líquida | Lucro (Prejuízo) |
| Long | 208% | -3,2% |
| Short | -147% | +4,7% |
| Long&Short | 32% | -0,3% |
| Opç Bolsa | 34% | +1,1% |
| Opç Dólar | -47% | -2,4% |
| CDI | +0,5% | |
| Taxas | +0,2% | |
| Resultado | +0,6% |
Seguimos otimistas
A Bolsa atingiu o maior valor do ano no final de fevereiro, quando o índice Bovespa atingiu 87.652 pontos. De lá para cá tem mantido estabilidade entre 83 e 86 mil pontos. A recuperação da economia mais lenta e a disputa eleitoral prestes a começar são razões para a bolsa não subir. Por outro lado, os ciclos de recuperação econômica são longos e inconstantes, e os fundamentos continuam positivos. Os juros acabaram de atingir o menor patamar da história e a queda demora de 3 a 4 trimestres para impactar a economia, segundo o Banco Central. A alta capacidade ociosa e desemprego devem manter a inflação controlada por algum tempo. Assim, o PIB deve continuar a crescer com a geração de empregos e o aumento da massa salarial real, que beneficia o consumo; e acelerar quando os investimentos das empresas e a expansão do credito voltarem. Esperamos que os juros baixos propiciem a retomada da venda de imóveis, que já mostra sinais de melhora. Por estas razões continuamos otimistas, com ~95% do patrimônio comprado em ações, considerando a exposição via opções, além de ~65% do fundo comprado em Real através de opções com vencimento no final do ano. A maior diversificação das fontes de risco é saudável para a carteira.
[visualizer id=”4652″]
