Resultado Mensal: Versa +9,5%, CDI +0,5%, Ibov +0,5% (Fev-18)

Luiz Alves

4 de março de 2018

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Resumo do Mês

Fig1. Vix – Volatility Index

O mês de Fevereiro foi marcado pela volta da volatilidade aos mercados. O S&P passou por forte realização e a volatilidade explodiu, como mostra o VIX (fig.1). Após fechar no maior valor da história, o S&P caiu 10% em 9 dias, o mesmo que havia demorado 61 dias para subir. Alguns atribuem a queda ao aumento da curva de juros americana, que está no maior patamar dos últimos 5 anos em função da inflação, que apareceu após anos sem dar notícias. No artigo sobre Jerome Powell de nov-17 apontamos que o pleno-emprego e o baixo aumento da produtividade americanos aumentavam o risco inflacionário, que poderiam levar o FED a aumentar os juros mais rápido. De lá para cá a chance atribuída pelo mercado do Banco Central americano subir os juros 4 vezes em 2018 aumentou de 2% para 25%.

Geralmente, por outro lado, a alta dos juros é acompanhado pela valorização do S&P (fig.2 e 3). A atividade mais forte aumenta os lucros das empresas e a inflação, quando não reduz as vendas, também. Quando a inflação sobe com força o FED vê-se obrigado a elevar os juros para desaquecer a economia, afetando a confiança, aumentando o desemprego e reduzindo o consumo. O lucro das empresas cai junto ao crescimento econômico, o que faz a bolsa cair e o FED voltar a cortar os juros. Um descontrole inflacionário, por outro lado, poderia mudar esta dinâmica

Fig 2 – Fed Funds vs S&P (1990-2018)
Fig. 3 – Fed Funds vs S&P (1955-1980)

Apesar do governo ter tomado medidas estimulativas como o corte de imposto, e planejar outras inflacionárias, como as barreiras comerciais, a inflação americana ainda está controlada e a curva de juros prevê apenas a normalização da taxa, sendo insuficientes para explicar a realização. Adicionalmente à questão macroeconômica, entretanto, os anos de juros baixos aumentaram a alavancagem dos mercados e reduziram os prêmios de risco, deixando-o suscetível às correções. Um exemplo são os fundos vendidos em volatilidade (VIX) que colapsaram no evento. Os fundos auferiam maiores lucros conforme as oscilações do mercado diminuíam. No final das contas, parece que estamos passando por um ajuste no prêmio de risco dos mercados que não terminará do dia para noite, mas sozinho não tem força para afetar a economia americana, menos ainda da brasileira que começou a pouco a sair da crise. Por isso em fevereiro o Ibovespa subiu +0,5% na contramão do S&P que caiu -3,9%, enquanto o Versa subiu +9,5%.

31-jan-18 28-fev-18 Variação
Versa 6,646 7,276 9,5%
CDI aa 6,9% 6,6% 0,5%
Ibovespa 84.913 85.354 0,5%

 

Temos frisado a importância do long & short do Versa, que dessa vez foi o responsável por todo o resultado do mês. Enquanto as ações compradas subiram +3,4% as vendidas a descoberto caíram -2,6%, um descasamento de +6%, significativo para uma carteira diversificada com ações em sentidos contrários. Hoje o Versa tem 23 ações compradas (20 via papel e 3 via opções) e 12 ações vendidas a descoberto. A maior posição da carteira, Locamérica, representa 23% do patrimônio, quase o mesmo que a maior venda a descoberto, RaiaDrogasil, com -20% do PL. Outras posições de mesma magnitude são Fibria e Ultrapar. A posição média comprada, entretanto, é 8% e a vendida -9%, com tamanhos diferentes ajustados ao potencial e risco dos investimentos.

O maior ganho do mês foi, mais uma vez, Locamérica que subiu +23% com o otimismo relativo à fusão com a Unidas, gerando +4,9% de ganho para o fundo. Em segundo Fibria gerou +2,4% de lucro com a alta de +12,3% dos papéis após jornais anunciarem que a empresa estaria estudando uma fusão com a Suzano. O terceiro maior ganho foi da posição vendida a descoberto em RaiaDrogasil, que caiu -8% e gerou ganho de +1,9% para o fundo. O resultado do 4o tri veio em linha com o esperado pelo mercado, mas mostrou desaceleração importante no crescimento das lojas maduras, deixando dúvidas se a concorrência está mais dura.

A maior perda do Versa em fevereiro foi BrProperties que caiu -19% e subtraiu -1,9% do fundo. A empresa anunciou que a Petrobrás vai devolver metade da área alugada em um dos seus principais imóveis, a torre Ventura no centro do Rio de Janeiro. A perda representa ~8% da receita da empresa e será amenizada pela multa rescisória, entretanto o papel teve forte queda pela desconfiança em relação ao Rio, onde a empresa tem ~metade da sua área bruta locável e grande parte está desocupada. O momento no Rio é difícil mas o mercado de São Paulo (outra metade) está se recuperando, a vacância deve cair e os reajustes de aluguel devem voltar. Por isso aproveitamos a queda para comprar. A segunda maior perda da carteira foi Direcional que caiu 9% e causou prejuízo de 1,5% ao fundo.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 178% 4,7%
Short -115% 3,0%
Opções 52% 3,1%
CDI 68% 0,3%
Taxas -1,9%
Resultado   9,5%

 

Ao longo do mês reduzimos a exposição direcional através da venda de parte da posição em opções.

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Resumo do Mês

Fig1. Vix – Volatility Index

O mês de Fevereiro foi marcado pela volta da volatilidade aos mercados. O S&P passou por forte realização e a volatilidade explodiu, como mostra o VIX (fig.1). Após fechar no maior valor da história, o S&P caiu 10% em 9 dias, o mesmo que havia demorado 61 dias para subir. Alguns atribuem a queda ao aumento da curva de juros americana, que está no maior patamar dos últimos 5 anos em função da inflação, que apareceu após anos sem dar notícias. No artigo sobre Jerome Powell de nov-17 apontamos que o pleno-emprego e o baixo aumento da produtividade americanos aumentavam o risco inflacionário, que poderiam levar o FED a aumentar os juros mais rápido. De lá para cá a chance atribuída pelo mercado do Banco Central americano subir os juros 4 vezes em 2018 aumentou de 2% para 25%.

Geralmente, por outro lado, a alta dos juros é acompanhado pela valorização do S&P (fig.2 e 3). A atividade mais forte aumenta os lucros das empresas e a inflação, quando não reduz as vendas, também. Quando a inflação sobe com força o FED vê-se obrigado a elevar os juros para desaquecer a economia, afetando a confiança, aumentando o desemprego e reduzindo o consumo. O lucro das empresas cai junto ao crescimento econômico, o que faz a bolsa cair e o FED voltar a cortar os juros. Um descontrole inflacionário, por outro lado, poderia mudar esta dinâmica

Fig 2 – Fed Funds vs S&P (1990-2018)
Fig. 3 – Fed Funds vs S&P (1955-1980)

Apesar do governo ter tomado medidas estimulativas como o corte de imposto, e planejar outras inflacionárias, como as barreiras comerciais, a inflação americana ainda está controlada e a curva de juros prevê apenas a normalização da taxa, sendo insuficientes para explicar a realização. Adicionalmente à questão macroeconômica, entretanto, os anos de juros baixos aumentaram a alavancagem dos mercados e reduziram os prêmios de risco, deixando-o suscetível às correções. Um exemplo são os fundos vendidos em volatilidade (VIX) que colapsaram no evento. Os fundos auferiam maiores lucros conforme as oscilações do mercado diminuíam. No final das contas, parece que estamos passando por um ajuste no prêmio de risco dos mercados que não terminará do dia para noite, mas sozinho não tem força para afetar a economia americana, menos ainda da brasileira que começou a pouco a sair da crise. Por isso em fevereiro o Ibovespa subiu +0,5% na contramão do S&P que caiu -3,9%, enquanto o Versa subiu +9,5%.

31-jan-18 28-fev-18 Variação
Versa 6,646 7,276 9,5%
CDI aa 6,9% 6,6% 0,5%
Ibovespa 84.913 85.354 0,5%

 

Temos frisado a importância do long & short do Versa, que dessa vez foi o responsável por todo o resultado do mês. Enquanto as ações compradas subiram +3,4% as vendidas a descoberto caíram -2,6%, um descasamento de +6%, significativo para uma carteira diversificada com ações em sentidos contrários. Hoje o Versa tem 23 ações compradas (20 via papel e 3 via opções) e 12 ações vendidas a descoberto. A maior posição da carteira, Locamérica, representa 23% do patrimônio, quase o mesmo que a maior venda a descoberto, RaiaDrogasil, com -20% do PL. Outras posições de mesma magnitude são Fibria e Ultrapar. A posição média comprada, entretanto, é 8% e a vendida -9%, com tamanhos diferentes ajustados ao potencial e risco dos investimentos.

O maior ganho do mês foi, mais uma vez, Locamérica que subiu +23% com o otimismo relativo à fusão com a Unidas, gerando +4,9% de ganho para o fundo. Em segundo Fibria gerou +2,4% de lucro com a alta de +12,3% dos papéis após jornais anunciarem que a empresa estaria estudando uma fusão com a Suzano. O terceiro maior ganho foi da posição vendida a descoberto em RaiaDrogasil, que caiu -8% e gerou ganho de +1,9% para o fundo. O resultado do 4o tri veio em linha com o esperado pelo mercado, mas mostrou desaceleração importante no crescimento das lojas maduras, deixando dúvidas se a concorrência está mais dura.

A maior perda do Versa em fevereiro foi BrProperties que caiu -19% e subtraiu -1,9% do fundo. A empresa anunciou que a Petrobrás vai devolver metade da área alugada em um dos seus principais imóveis, a torre Ventura no centro do Rio de Janeiro. A perda representa ~8% da receita da empresa e será amenizada pela multa rescisória, entretanto o papel teve forte queda pela desconfiança em relação ao Rio, onde a empresa tem ~metade da sua área bruta locável e grande parte está desocupada. O momento no Rio é difícil mas o mercado de São Paulo (outra metade) está se recuperando, a vacância deve cair e os reajustes de aluguel devem voltar. Por isso aproveitamos a queda para comprar. A segunda maior perda da carteira foi Direcional que caiu 9% e causou prejuízo de 1,5% ao fundo.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 178% 4,7%
Short -115% 3,0%
Opções 52% 3,1%
CDI 68% 0,3%
Taxas -1,9%
Resultado   9,5%

 

Ao longo do mês reduzimos a exposição direcional através da venda de parte da posição em opções.

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