Resumo do Mês
Enquanto o mês de março foi calmo no mercado brasileiro, o americano voltou sofrer fortes oscilações e o S&P fechou em queda de -2,7%. Após anunciar a barreira comercial contra o aço, Trump divulgou novas tarifas contra importações chinesas da ordem de USD 60 bi, aumentando o temor de uma guerra comercial. A queda do mercado também foi impulsionada pelas ações de tecnologia, como a queda de -10,4% do Facebook após o escândalo do uso indevido de dados dos usuários. No final de março o FED subiu os juros americanos em 0,25% e aumentou as expectativas de crescimento e inflação para 2018 e 2019, levando os integrantes do comitê subir as projeções dos juros no futuro. No Brasil o COPOM cortou os juros em 0,25% e indicou que fará um novo corte na próxima reunião, pegando de surpresa o mercado que projetava o final do ciclo de cortes. A Bovespa teve forte saída de estrangeiros no mês. Até o dia 27 os gringos resgataram R$ 5,5 bi da bolsa, fazendo o fluxo no ano virar negativo.
| 28-fev-18 | 29-mar-18 | Variação | |
| Versa | 7,276 | 7,123 | -2,1% |
| CDI aa | 6,6% | 6,6% | 0,5% |
| Ibovespa | 85.354 | 85.366 | 0,0% |
Após subir +3,7% na primeira quinzena, o Versa caiu -5,6% na segunda e fechou o mês em queda de -2,1%. O destaque positivo de março foi o setor industrial, com ganho de +2,2% impulsionado pela alta de +18,5% das ações da Iochpe. O segundo maior resultado veio da posição vendida a descoberto em Ultrapar, que caiu -5,9% e gerou +1% de lucro. A maior perda do mês foi Brasil Foods. Como explicamos no último resultado quinzenal, começamos a investir na empresa após o resultado do 4o tri acreditando que o pior havia ficado para trás. Pouco tempo depois foi deflagrada a operação carne fraca, que derrubou as ações e provocou o embargo às exportações de frigoríficos da BRF. Notícias de quebra de safra na Argentina, grande produtora de soja e milho, que são os principais insumos da avicultura, também afetaram as expectativas de recuperação das margens da empresa. A combinação dos fatores levou à queda de -23,7% nas ações causando prejuízo de -2,8% ao Versa. A segunda maior perda do mês foi com as ações da Hering, nova posição relevante do fundo, que caiu 10% no mês causando prejuízo de -2,2%.
| Livro | Posição Líquida | Lucro (Prejuízo) |
| Long | 215% | -4,4% |
| Short | -136% | 1,0% |
| Opções | 24% | 0,0% |
| CDI | 81% | 0,4% |
| Taxas | 0,9% | |
| Resultado | -2,1% |
Dividimos a posição direcional do Versa em duas partes: uma estrutural e outra tática. A posição estrutural é a diferença entre as posições compradas (longs) e as vendidas à descoberto (short). Esta posição é orientada pelo ciclo macroeconômico, por isso é de longo prazo e modificada com pouca frequência. Já a posição tática é feita através das opções de compra e de venda, e visa capturar movimentos de curto prazo (alguns meses), tanto para alavancar a posição estrutural quanto para fazer o seu hedge (proteção). Começamos 2018 com elevada exposição direcional e desde o início de janeiro temos diminuído-a através da venda das opções. Continuamos otimistas com a aceleração do crescimento no Brasil e com os benefícios da menor taxa de juros da história, mas com o aumento da volatilidade dos mercados, por precaução diminuímos a exposição direcional. Ainda assim a carteira mantém grande parte do patrimônio investido em papéis de maior sensibilidade ao crescimento (maior Beta), como as construtoras Direcional, Trisul e Even, além das varejistas Hering e Via Varejo. Esperamos um desfecho positivo para o Brasil no julgamento do habeas-corpus do Lula, mas acreditamos que terá impacto limitado nos mercados uma vez que, mesmo que vença no STF e não vá preso, a sua candidatura será impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Estamos acompanhando de perto as trapalhadas do Trump, mas ainda não há sinais que o crescimento americano será abortado, pelo contrário, os indicadores antecedentes apontam para o fortalecimento da economia. Até então o sell-off foi somente uma reprecificação do risco, fruto do aumento das incertezas.
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