Resultado Quinzenal: Versa +21,0%, CDI +0,3%, Ibov +4,4% (Jan-18)

Luiz Alves

20 de janeiro de 2018

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Resumo da Quinzena

Os últimos 6 meses foram uma constante disputa entre as boas notícias da economia e os ruídos da política. Com o recesso parlamentar em dezembro o fluxo de má notícias cessou e a bolsa retomou a alta, valorizando 4,4% na primeira de janeiro. Neste breve início de ano o fluxo de estrangeiros foi R$ 4 bi, 1/3 do que investiram em 2017, e inundou a bolsa. O forte desempenho do mercado brasileiro é visto também em outros países emergentes. O JPMorgan comparou a alta de +12,7% do MSCI Brazil desde o dia que o julgamento do Lula no TRF-4 foi agendado com a dos outros países emergentes e encontrou que apenas 2.1% pode ser atribuído aos fatores específicos do Brasil já que o MSCI emergentes ex-Brasil subiu 7.7% e o real se apreciou 2.9%. Parte desta alta é explicada pela valorização das commodities, que têm grande peso no índice e ajudam na balança comercial e na recuperação das economias do Brasil e dos emergentes. A alta das commodities, por sua vez, é resultado do crescimento global mais robusto que o esperado em 2017 que deve continuar em 2018. O Banco Mundial prevê que a economia global crescerá 3.1% ano que vem após crescer 3% este ano, e será a primeira vez, desde a crise de 2008, que o mundo estará operando a plena capacidade. De acordo com o FMI, atualmente 75% dos países estão registrando aumento da atividade. Para completar, os baixos preços das commodities dos últimos 3 anos desincentivaram os produtores de matérias primas a investir em expansões, favorecendo futuros aumentos de preços.

29-dez-17 15-jan-18 Variação
Versa 5,026 6,080 21,0%
CDI aa 6,9% 6,9% 0,3%
Ibovespa 76.402 79.752 4,4%

 

O julgamento do Lula na próxima quarta feira pode afetar o humor do mercado. Se for condenado pelos 3 juízes do tribunal, mesmo que discordem da pena, Lula tornar-se-a inelegível pela Lei da Ficha Limpa quando a sua candidatura for impugnada pelo TSE. Se um dos juízes do TRF-4 inocentá-lo, a defesa entrará com embargos infringentes e o processo irá a novo julgamento com outro relator e a outra turma do TRF-4 especializada em direito penal. O julgamento deste recurso costuma levar de 3 a 7 meses, portanto deve terminar antes das eleições. Se Lula for absolvido o Ministério Público recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça e o julgamento deve ser posterior às eleições, portanto Lula seria candidato. Acreditamos que em qualquer cenário Lula sairá derrotado, mas se vencer no tribunal sua penúria durará até as eleições, quando sua candidatura fará a oposição se unir para atacá-lo com artilharia pesada. Com amplo material acusatório e menor tempo de propaganda eleitoral, é ínfima a chance do Lula vencer estas eleições. Por isso vemos uma eventual queda acentuada no preço dos ativos em função do julgamento no TRF-4 como uma oportunidade de voltar às compras.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 189% 17,1%
Short -129% -2,6%
Opções 141% 10,8%
CDI 74% 0,2%
Taxas -4,5%
Resultado   21,0%

 

O resultado da primeira quinzena de janeiro demonstrou o potencial da estratégia do Versa. Com ganhos expressivos na seleção de ativos (long & short) e na maior alocação comprada (direcional), o fundo subiu +21% enquanto a bolsa subiu +4,4%. O maior destaque foi novamente Locamérica que subiu +28,6% gerando lucro de +11,1% para o fundo. O mercado recebeu com euforia a aquisição da Unidas e a valorização das ações reflete a expectativa das sinergias a serem capturadas na fusão. Como a escala é o principal diferencial competitivo neste setor, aplaudimos a iniciativa da Locamérica em adquirir uma empresa tão grande quanto ela e o baixo valor pago de 1,2x o patrimônio da Unidas. Por outro lado, vemos com preocupação os desafios que terão pela frente. Diferente da Ricci que possuía menor escala na compra de carros e captava recursos a taxas elevadas, a Unidas possui descontos na compra dos veículos e taxas de captação de recursos similares à Locamérica. Apesar da empresa combinada ter o dobro do tamanho das originais, o desconto das montadoras têm limites, por isso o ganho de escala na compra de carros é marginalmente decrescente. Ainda, metade da frota da Unidas pertence à operação rent-a-car, lojas de rua e aeroporto, que é diferente da operação de frotas, área de atuação da Locamérica. O rent-a-car exige que a companhia invista nos carros primeiro e corra o risco da demanda, enquanto na operação de frotas a companhia adquire os carros somente após fechar o contrato de locação. Por último a Unidas vinha apresentando resultados ruins, com retorno sobre o patrimônio inferior ao custo do capital. Apesar do desafio ser o maior já enfrentado pela Locamérica, a virada operacional que a empresa fez nos últimos anos e a competência nas aquisições e integrações da Ricci e da Panda de Itu nos levam a dar-lhes o benefício da dúvida. Se a integração for bem sucedida o potencial de valorização das ações é grande. Por isso, Locamérica continua sendo a maior posição da carteira.

O segundo maior ganho da quinzena foi em siderurgia, nas ações de Usiminas e Gerdau, que tiveram ganho de +6,8% para o fundo. As empresas tiveram forte valorização pela perspectiva de aumentos de preços no mercado interno em função da melhora na demanda e da resiliência dos preços de aço na China. O terceiro maior ganho foram as opções de índice Bovespa que renderam +3,1% ao fundo. As perdas da quinzena foram pequenas comparadas aos ganhos e ao tamanho da posição vendida à descoberto. Os dois maiores prejuízos foram -0,9% na Weg, que subiu +6,8%, e também -0,9% no recém-inaugurado short em IRB, que subiu +10,3%.

Ao longo da quinzena reduzimos em 1/4 a exposição direcional mas mantivemos a carteira com viés otimista. A volatilidade do mercado pode aumentar nos próximos meses mas a recuperação da economia continua ganhando tração e dificilmente sairá dos trilhos. Por isso continuamos comprados em empresas baratas e cíclicas e vendidos nos papéis caros e defensivos.

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Resumo da Quinzena

Os últimos 6 meses foram uma constante disputa entre as boas notícias da economia e os ruídos da política. Com o recesso parlamentar em dezembro o fluxo de má notícias cessou e a bolsa retomou a alta, valorizando 4,4% na primeira de janeiro. Neste breve início de ano o fluxo de estrangeiros foi R$ 4 bi, 1/3 do que investiram em 2017, e inundou a bolsa. O forte desempenho do mercado brasileiro é visto também em outros países emergentes. O JPMorgan comparou a alta de +12,7% do MSCI Brazil desde o dia que o julgamento do Lula no TRF-4 foi agendado com a dos outros países emergentes e encontrou que apenas 2.1% pode ser atribuído aos fatores específicos do Brasil já que o MSCI emergentes ex-Brasil subiu 7.7% e o real se apreciou 2.9%. Parte desta alta é explicada pela valorização das commodities, que têm grande peso no índice e ajudam na balança comercial e na recuperação das economias do Brasil e dos emergentes. A alta das commodities, por sua vez, é resultado do crescimento global mais robusto que o esperado em 2017 que deve continuar em 2018. O Banco Mundial prevê que a economia global crescerá 3.1% ano que vem após crescer 3% este ano, e será a primeira vez, desde a crise de 2008, que o mundo estará operando a plena capacidade. De acordo com o FMI, atualmente 75% dos países estão registrando aumento da atividade. Para completar, os baixos preços das commodities dos últimos 3 anos desincentivaram os produtores de matérias primas a investir em expansões, favorecendo futuros aumentos de preços.

29-dez-17 15-jan-18 Variação
Versa 5,026 6,080 21,0%
CDI aa 6,9% 6,9% 0,3%
Ibovespa 76.402 79.752 4,4%

 

O julgamento do Lula na próxima quarta feira pode afetar o humor do mercado. Se for condenado pelos 3 juízes do tribunal, mesmo que discordem da pena, Lula tornar-se-a inelegível pela Lei da Ficha Limpa quando a sua candidatura for impugnada pelo TSE. Se um dos juízes do TRF-4 inocentá-lo, a defesa entrará com embargos infringentes e o processo irá a novo julgamento com outro relator e a outra turma do TRF-4 especializada em direito penal. O julgamento deste recurso costuma levar de 3 a 7 meses, portanto deve terminar antes das eleições. Se Lula for absolvido o Ministério Público recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça e o julgamento deve ser posterior às eleições, portanto Lula seria candidato. Acreditamos que em qualquer cenário Lula sairá derrotado, mas se vencer no tribunal sua penúria durará até as eleições, quando sua candidatura fará a oposição se unir para atacá-lo com artilharia pesada. Com amplo material acusatório e menor tempo de propaganda eleitoral, é ínfima a chance do Lula vencer estas eleições. Por isso vemos uma eventual queda acentuada no preço dos ativos em função do julgamento no TRF-4 como uma oportunidade de voltar às compras.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 189% 17,1%
Short -129% -2,6%
Opções 141% 10,8%
CDI 74% 0,2%
Taxas -4,5%
Resultado   21,0%

 

O resultado da primeira quinzena de janeiro demonstrou o potencial da estratégia do Versa. Com ganhos expressivos na seleção de ativos (long & short) e na maior alocação comprada (direcional), o fundo subiu +21% enquanto a bolsa subiu +4,4%. O maior destaque foi novamente Locamérica que subiu +28,6% gerando lucro de +11,1% para o fundo. O mercado recebeu com euforia a aquisição da Unidas e a valorização das ações reflete a expectativa das sinergias a serem capturadas na fusão. Como a escala é o principal diferencial competitivo neste setor, aplaudimos a iniciativa da Locamérica em adquirir uma empresa tão grande quanto ela e o baixo valor pago de 1,2x o patrimônio da Unidas. Por outro lado, vemos com preocupação os desafios que terão pela frente. Diferente da Ricci que possuía menor escala na compra de carros e captava recursos a taxas elevadas, a Unidas possui descontos na compra dos veículos e taxas de captação de recursos similares à Locamérica. Apesar da empresa combinada ter o dobro do tamanho das originais, o desconto das montadoras têm limites, por isso o ganho de escala na compra de carros é marginalmente decrescente. Ainda, metade da frota da Unidas pertence à operação rent-a-car, lojas de rua e aeroporto, que é diferente da operação de frotas, área de atuação da Locamérica. O rent-a-car exige que a companhia invista nos carros primeiro e corra o risco da demanda, enquanto na operação de frotas a companhia adquire os carros somente após fechar o contrato de locação. Por último a Unidas vinha apresentando resultados ruins, com retorno sobre o patrimônio inferior ao custo do capital. Apesar do desafio ser o maior já enfrentado pela Locamérica, a virada operacional que a empresa fez nos últimos anos e a competência nas aquisições e integrações da Ricci e da Panda de Itu nos levam a dar-lhes o benefício da dúvida. Se a integração for bem sucedida o potencial de valorização das ações é grande. Por isso, Locamérica continua sendo a maior posição da carteira.

O segundo maior ganho da quinzena foi em siderurgia, nas ações de Usiminas e Gerdau, que tiveram ganho de +6,8% para o fundo. As empresas tiveram forte valorização pela perspectiva de aumentos de preços no mercado interno em função da melhora na demanda e da resiliência dos preços de aço na China. O terceiro maior ganho foram as opções de índice Bovespa que renderam +3,1% ao fundo. As perdas da quinzena foram pequenas comparadas aos ganhos e ao tamanho da posição vendida à descoberto. Os dois maiores prejuízos foram -0,9% na Weg, que subiu +6,8%, e também -0,9% no recém-inaugurado short em IRB, que subiu +10,3%.

Ao longo da quinzena reduzimos em 1/4 a exposição direcional mas mantivemos a carteira com viés otimista. A volatilidade do mercado pode aumentar nos próximos meses mas a recuperação da economia continua ganhando tração e dificilmente sairá dos trilhos. Por isso continuamos comprados em empresas baratas e cíclicas e vendidos nos papéis caros e defensivos.

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