Resumo da Quinzena
O início de agosto foi marcado pela crise cambial da Turquia, que aumentou a aversão à risco dos mercados e afetou os países emergentes. Desde o início do ano o Dólar vem apreciando em relação as principais moedas do mundo, e o Real teve o pior desempenho entre elas. Os ajustes se tornaram mais agudos após o FED indicar mais aumentos nos juros em contra-ponto ao aquecimento da economia americana. A guerra comercial do Trump também fortalece o Dólar, e foi o estopim para a crise turca.

Dentre os países emergentes o Real teve o 3º pior desempenho no ano, ganhando apenas da Lira turca e do Peso argentino. Dos -19% do Real desde o início de 2018, -8% foi em agosto.

Apesar do mal desempenho, os fundamentos econômicos do Real são melhores que da maioria das moedas emergentes. Diferente das crises de 1998 e 2002, atualmente o país tem baixo endividamento em moeda estrangeira e grande reserva cambial que, somados, fazem do país credor externo. A desvalorização da moeda estimulou as exportações e a crise deprimiu as importações, fazendo a balança comercial atingir recordes históricos e a conta-corrente ficar positiva, uma raridade. O Brasil não tem a fragilidade da Turquia e da Argentina que tem grande déficit em conta-corrente, endividamento em moeda forte e baixas reservas cambiais. Por outro lado, desde que a taxa de juros americana começou a subir o fluxo de capitais se torno mais seletivo e o carry-trade do Real perdeu atratividade pela baixa taxa de juros brasileira. Com as eleições pela frente, a aversão à risco também atingiu os títulos públicos pré-fixados, cujas taxas de juros aumentaram com a pressão de venda.
O stress nos mercados é bem maior do que o índice Bovespa mostra. Enquanto cai -1% no ano, o índice de Small Caps cai -9%, o Real cai -25% e os juros longos (10 anos) aumentou +1,9% (de 10,9% para 12,8%). A aversão à risco está bastante elevada.
— Fundo Versa (@FundoVersa) 23 de agosto de 2018
A desvalorização do Real vem em boa hora. Com a atividade fraca e a inflação baixa, o risco de contágio, que faria o Banco Central antecipar o início da alta de juros, continua limitado. A depreciação cambial aumenta a competitividade das exportações sem prejudicar a política monetária estimulativa, melhorando as perspectivas de crescimento no curto prazo. As condições para a economia retomar o crescimento continuam postas, faltando só a recuperação da confiança, afetada pela incerteza eleitoral.
Resultado
Há tempos temos mostrado otimismo com a eleição de um presidente reformista, que comece pela reforma da previdência para reestabelecer a confiança e acelerar os investimentos. Dentre todos os candidatos com chance de vencer (Bolsonaro, Marina, Ciro, Alckmin e Haddad), apenas o PT não traz uma proposta eficaz. A cartilha do partido continua o mesmo desenvolvimentismo que levou o país à ruína. Com o fracasso eleitoral de 2016 e a recente prisão do Lula fomos surpreendidos com as pesquisas que colocam o presidiário na liderança. Lula não será candidato e o potencial do Haddad ainda é desconhecido. Por isso atribuímos probabilidade de 20% à vitória do PT e 80% de qualquer outro candidato. Ainda, nosso estudo aponta para maior probabilidade do candidato do establishment estar no segundo turno.
| 31-jul-18 | 15-ago-18 | Variação | |
| Versa | 6,290 | 5,740 | -8,7% |
| CDI aa | 6,4% | 6,4% | +0,3% |
| Ibovespa | 79.220 | 77.078 | -2,7% |
Continuamos com uma carteira otimista por avaliarmos que as empresas vão continuar crescendo receita e rentabilidade como têm feito nos últimos trimestres. As condições para aceleração do PIB estão postas, o que deve acontecer após as eleições. A má performance recente da bolsa gerou assimetria positiva. Por isso continuamos comprados no descasamento entre longs e shorts e através de opções de bolsa.
| Livro | Posição Líquida | Lucro (Prejuízo) |
| Long | 222% | -6,1% |
| Short | -206% | -0,9% |
| Opç Bolsa | +50% | -1,5% |
| Opç Dólar | -20% | -0,6% |
| CDI | +0,3% | |
| Taxas | -0,1% | |
| Resultado | -8,7% |
As perdas do fundo foram maiores que da bolsa principalmente pelo descasamento entre as ações compradas (long) e vendidas à descoberto (short), o long & short. Enquanto a carteira comprada caiu -2,7%, em linha com o Bovespa, a vendida a descoberto subiu em grande parte pela alta do IRB. Avaliamos que as ações da resseguradora incorporam o atual monopólio insustentável, mas a baixa concorrência continuou a beneficiá-la no curto prazo e a empresa apresentou um bom resultado no trimestre.
| Variação Ação |
Perdas Versa | |
| IRBR3 | +11% | -3,1% |
| BRPR3 | -10% | -2,4% |
| USIM5 | -11% | -2,3% |
| BEEF3 | -17% | -1,3% |
maiores perdas em agosto
| Variação Ação |
Ganhos Versa | |
| HGTX3 | +9% | +2,1% |
| WEGE3 | -5% | +1,2% |
| NATU3 | -8% | +0,7% |
maiores ganhos em agosto
Temos sofrido com a elevada volatilidade do fundo e o estilo das suas ações. A carteira comprada tem ações baratas e de menor liquidez, enquanto a carteira vendida à descoberto tem ações caras e de maior liquidez. Em momentos de aversão à risco não surpreende o melhor comportamento da carteira short em relação à long. Confiamos nos fundamentos das ações e acreditamos que as discrepâncias são temporárias. Por outro lado estamos desconfortáveis com a alta volatilidade do fundo, por isso estamos controlando a alavancagem e avaliando a concentração das posições. Temos planos de redução de risco mais fortes caso os dias turbulentos continuem.
Apesar da piora operacional (vendas-mesmas-lojas das maduras negativas e das novas declinante, e queda nas margens), do retorno declinante e do stress no mercado, Raia-Drogasil está próxima aos múltiplos mais altos de sua história. Até quando vai segurar? pic.twitter.com/XW7n9UmJeD
— Fundo Versa (@FundoVersa) 23 de agosto de 2018
