Versa Gênesis: O Peculiar Ano de 2025

Marcelo Gonçalves

26 de janeiro de 2026

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O ano de 2025 foi, no mínimo, peculiar — especialmente para a estratégia do Versa Genesis. A NTN-B, nosso principal referencial de custo de oportunidade e avaliação de ativos, moveu-se muito pouco ao longo do ano.

Apesar dessa aparente calmaria nos juros, a performance das ações da nossa carteira foi espetacular. Os setores de infraestrutura e utilidade pública tiveram uma valorização expressiva, permitindo que o fundo superasse o índice de Utilidade Pública (UTIL), benchmark que reflete bem nossa proposta de buscar papéis com retornos previsíveis.

Ao final do ano de 2025 o fundo teve uma performance de 112,7%, bem acima do Bovespa que subiu 34% no ano. 

Para atingir esse resultado, navegamos por erros e acertos. A transparência exige que comecemos pelos erros, resumidos em dois movimentos principais:

1. A Saída Precoce de Copasa

Em março, zeramos a posição em Copasa (CSMG3). Na época o cenário era adverso: o CEO havia deixado a companhia, os resultados eram apenas satisfatórios e a revisão tarifária (prevista para 2025/26) trazia viés negativo. Nossa tese de investimento evita depender de eventos binários, como privatizações. Sem ela, a empresa enfrentaria o risco da renovação da concessão em Belo Horizonte que contribui com mais de 25% da receita em 2032.

Ironicamente, a Copasa foi um dos destaques de performance do ano. A probabilidade de privatização aumentou e, como costumamos dizer, o mercado decidiu “pagar na frente” por todos os ganhos de eficiência imagináveis, algo que não capturamos.

2. A Cautela com Geradoras 

O segundo erro foi a subalocação em geradoras de energia. Mantivemos nossa preferência histórica por evitar o segmento devido aos contratos curtos e à descontratação em prazos longos (3-5 anos), o que reduz a previsibilidade. Contudo, a combinação de mudanças nos parâmetros do modelo de cálculo do PLD* e chuvas fracas sustentaram os preços de energia em patamares elevados e levaram a um aumento expressivo do preço de energia de longo prazo. O mercado antecipou os bons resultados previstos para 2026, impulsionando papéis como Eletrobras (que agora se chama Axia).

Ainda assim, nossos acertos compensaram largamente esses desvios. Em bases comparáveis (simulando um portfólio com 100% do patrimônio comprado), nossa carteira rendeu 67%, superando os 63% do benchmark. Vale lembrar que o Gênesis opera, em média, com 190% do patrimônio comprado; essa métrica comparável nos ajuda a isolar a qualidade da seleção de ações (stock picking) antes dos efeitos da alavancagem e dos custos.

Os Grandes Acertos: CPFL, Neoenergia e TIM 

As maiores contribuições positivas vieram de CPFL e Neoenergia. No caso da Neoenergia, a saída foi tática: após a oferta da Iberdrola para o fechamento de capital, o preço da ação ficou “travado” no valor da OPA (R$32,50), limitando o upside.

Já a CPFL permanece como nossa maior posição para 2026. A empresa combina dividendos recorrentes com investimentos (Capex) muito superiores a depreciação regulatória. Isso deve aumentar a base de ativos (RAB), resultando em reajustes tarifários futuros acima da inflação. Diferente de pares como a Equatorial e Energisa que diversificam seus investimentos em outros setores como saneamento e distribuição de gás, a CPFL mantém um foco “puro” e previsível em distribuição, transmissão e geração. Possuímos posições em Equatorial e Energisa também, pois estamos otimistas no geral, mas preferimos normalmente empresas que se prendem mais aos seus mandatos. 

Outro acerto foi a manutenção da TIM. Embora de setor distinto, a empresa guarda similaridades com a tese de CPFL: dividendos altos, previsibilidade de caixa e um mandato de investimento disciplinado, sem “aventuras”. Além disso, o mercado de telefonia móvel segue operando de forma racional, com os players disciplinados nos repasses de preço após a saída da Oi do mercado. Esse ambiente contribui para a estabilidade dos resultados da TIM e para a capacidade da empresa de continuar gerando caixa e pagando dividendos crescentes ao longo do tempo.

Perspectivas para 2026: O Copo Meio Cheio 

Estamos otimistas. O cenário atual apresenta um paradoxo: o spread (o prêmio que as ações de infraestrutura pagam acima do título público) nunca esteve tão baixo. Por outro lado, a taxa de juros real absoluta (NTN-B) está próxima das máximas de 15 anos.

Decidimos olhar o “copo meio cheio”. Existe um espaço relevante para a queda da taxa de juros real. Quando isso ocorre, cria-se um círculo virtuoso:

  1. As ações do setor (“bond proxies”) se valorizam pelo efeito da queda da taxa de desconto.
  2. As empresas aproveitam o juro menor para alavancar operações e investir.
  3. O custo da alavancagem do próprio fundo diminui.

Quando lançamos o fundo, os juros eram baixos e, em retrospectiva, a alavancagem alta não era ideal. Hoje, com os juros nas alturas e a perspectiva de cortes pelo Banco Central, acreditamos que este é o momento ideal para manter nossa alavancagem média de 190%, capturando a valorização dos ativos e a redução do custo da dívida.

*PLD ou Preço de Liquidação das Diferenças é o preço da energia no mercado de curto prazo (spot), calculado semanalmente pela CCEE. Ele funciona como um termômetro da escassez: quando chove pouco e os reservatórios baixam, o PLD sobe; quando sobra água, ele cai.

O ano de 2025 foi, no mínimo, peculiar — especialmente para a estratégia do Versa Genesis. A NTN-B, nosso principal referencial de custo de oportunidade e avaliação de ativos, moveu-se muito pouco ao longo do ano.

Apesar dessa aparente calmaria nos juros, a performance das ações da nossa carteira foi espetacular. Os setores de infraestrutura e utilidade pública tiveram uma valorização expressiva, permitindo que o fundo superasse o índice de Utilidade Pública (UTIL), benchmark que reflete bem nossa proposta de buscar papéis com retornos previsíveis.

Ao final do ano de 2025 o fundo teve uma performance de 112,7%, bem acima do Bovespa que subiu 34% no ano. 

Para atingir esse resultado, navegamos por erros e acertos. A transparência exige que comecemos pelos erros, resumidos em dois movimentos principais:

1. A Saída Precoce de Copasa

Em março, zeramos a posição em Copasa (CSMG3). Na época o cenário era adverso: o CEO havia deixado a companhia, os resultados eram apenas satisfatórios e a revisão tarifária (prevista para 2025/26) trazia viés negativo. Nossa tese de investimento evita depender de eventos binários, como privatizações. Sem ela, a empresa enfrentaria o risco da renovação da concessão em Belo Horizonte que contribui com mais de 25% da receita em 2032.

Ironicamente, a Copasa foi um dos destaques de performance do ano. A probabilidade de privatização aumentou e, como costumamos dizer, o mercado decidiu “pagar na frente” por todos os ganhos de eficiência imagináveis, algo que não capturamos.

2. A Cautela com Geradoras 

O segundo erro foi a subalocação em geradoras de energia. Mantivemos nossa preferência histórica por evitar o segmento devido aos contratos curtos e à descontratação em prazos longos (3-5 anos), o que reduz a previsibilidade. Contudo, a combinação de mudanças nos parâmetros do modelo de cálculo do PLD* e chuvas fracas sustentaram os preços de energia em patamares elevados e levaram a um aumento expressivo do preço de energia de longo prazo. O mercado antecipou os bons resultados previstos para 2026, impulsionando papéis como Eletrobras (que agora se chama Axia).

Ainda assim, nossos acertos compensaram largamente esses desvios. Em bases comparáveis (simulando um portfólio com 100% do patrimônio comprado), nossa carteira rendeu 67%, superando os 63% do benchmark. Vale lembrar que o Gênesis opera, em média, com 190% do patrimônio comprado; essa métrica comparável nos ajuda a isolar a qualidade da seleção de ações (stock picking) antes dos efeitos da alavancagem e dos custos.

Os Grandes Acertos: CPFL, Neoenergia e TIM 

As maiores contribuições positivas vieram de CPFL e Neoenergia. No caso da Neoenergia, a saída foi tática: após a oferta da Iberdrola para o fechamento de capital, o preço da ação ficou “travado” no valor da OPA (R$32,50), limitando o upside.

Já a CPFL permanece como nossa maior posição para 2026. A empresa combina dividendos recorrentes com investimentos (Capex) muito superiores a depreciação regulatória. Isso deve aumentar a base de ativos (RAB), resultando em reajustes tarifários futuros acima da inflação. Diferente de pares como a Equatorial e Energisa que diversificam seus investimentos em outros setores como saneamento e distribuição de gás, a CPFL mantém um foco “puro” e previsível em distribuição, transmissão e geração. Possuímos posições em Equatorial e Energisa também, pois estamos otimistas no geral, mas preferimos normalmente empresas que se prendem mais aos seus mandatos. 

Outro acerto foi a manutenção da TIM. Embora de setor distinto, a empresa guarda similaridades com a tese de CPFL: dividendos altos, previsibilidade de caixa e um mandato de investimento disciplinado, sem “aventuras”. Além disso, o mercado de telefonia móvel segue operando de forma racional, com os players disciplinados nos repasses de preço após a saída da Oi do mercado. Esse ambiente contribui para a estabilidade dos resultados da TIM e para a capacidade da empresa de continuar gerando caixa e pagando dividendos crescentes ao longo do tempo.

Perspectivas para 2026: O Copo Meio Cheio 

Estamos otimistas. O cenário atual apresenta um paradoxo: o spread (o prêmio que as ações de infraestrutura pagam acima do título público) nunca esteve tão baixo. Por outro lado, a taxa de juros real absoluta (NTN-B) está próxima das máximas de 15 anos.

Decidimos olhar o “copo meio cheio”. Existe um espaço relevante para a queda da taxa de juros real. Quando isso ocorre, cria-se um círculo virtuoso:

  1. As ações do setor (“bond proxies”) se valorizam pelo efeito da queda da taxa de desconto.
  2. As empresas aproveitam o juro menor para alavancar operações e investir.
  3. O custo da alavancagem do próprio fundo diminui.

Quando lançamos o fundo, os juros eram baixos e, em retrospectiva, a alavancagem alta não era ideal. Hoje, com os juros nas alturas e a perspectiva de cortes pelo Banco Central, acreditamos que este é o momento ideal para manter nossa alavancagem média de 190%, capturando a valorização dos ativos e a redução do custo da dívida.

*PLD ou Preço de Liquidação das Diferenças é o preço da energia no mercado de curto prazo (spot), calculado semanalmente pela CCEE. Ele funciona como um termômetro da escassez: quando chove pouco e os reservatórios baixam, o PLD sobe; quando sobra água, ele cai.

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