Com a piora do cenário de inflação, o Copom falou mais grosso na reunião da última quarta-feira. Embora tenha mantido a Selic em 2% como já era amplamente esperado, o BC começou a se preparar para uma possível subida de juros nos próximos meses. Neste sentido, chamou a atenção a retirada explícita do forward guidance, uma espécie de compromisso de não subir os juros, que já havia sido relativizado na reunião de dezembro. Preocupam os números mais salgados de inflação corrente, preço das commodities em alta, dólar pressionado e a falta de clareza do cenário fiscal. Por outro lado, a expectativa de que a atividade volte a sofrer com a segunda onda impõe cautela sobre aumentos de juros. Por ora, esperamos que estes comecem em maio, com a Selic chegando em 4% no final do ano. Ainda acreditamos que a normalização dos juros deva ajudar na apreciação do real, desde que os riscos fiscais sigam controlados. Fazendo a estória curta um pouco mais longa: